Governo minimiza marcha de amanhã
Sônia Cristina Silva e Rosa Costa
Agência Estado - De Brasília
O governo mudou ontem a estratégia diante da Marcha dos 100 Mil, manifestação organizada pelas oposições e que ocorrerá amanhã em Brasília. Depois de associar o protesto a uma tentativa de golpe da oposição, os líderes governistas passaram a trabalhar no sentido de minimizar a importância do movimento. Minha intuição diz que será um fiasco, disse o líder do governo no Congresso, deputado Artur Virgílio Neto (PSDB-AM). Respondendo à pressão do Palácio do Planalto, os oposicionistas defendiam o movimento, tentando desfazer a imagem negativa.
A atuação do governo no embate com a oposição foi traçada numa reunião, anteontem, entre o governo e os principais líderes no Congresso. Ontem, o assunto foi novamente discutido entre o secretário-geral da Presidência da República, Aloysio Nunes Ferreira, Virgílio Neto e o líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP). Não estamos vendo razão para adrelina alta e o governo observa (o protesto) serenamente, disse Virgílio Neto, após o encontro.
Eles não colocam 100 mil (na rua), disse Virgílio Neto. Qualquer manifestação que não traz uma agenda clara pode até frustrar os participantes, afirmou o líder do PSDB na Câmara, Aécio Neves (MG). O movimento é inócuo, classificou. Madeira lembrava que o Congresso seguiria o ritmo normal. Em democracia, é normal reunir-se para protestar, mas não há um fato relevante que justifique, afirmou Madeira, para quem não terá êxito uma das principais reivindicações do movimento, a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com o objetivo de apurar a privatização do Sistema Telebrás.
Neves defendeu a estratégia do governo de contra-ataque à marcha. Fizemos o que devia ser feito, que foi alertar para a necessidade de limites diante de slogans antidemocráticos, afirmou o parlamentar. Ao associar a marcha a uma tentativa de golpe à reeleição do presidente, o governo tinha como objetivo, segundo Neves, cobrar manifestações de líderes da oposição, que estariam omissas diante da considerada radicalização de parte da organização do protesto.
Para o presidente nacional e líder do PMDB no Senado, Jáder Barbalho (PA), no entanto, o governo superdimensionou o movimento. É uma manifestação popular e, em qualquer país do mundo, há o direito de defesa das teses, afirmou. - Não dou a esta manifestação a dimensão que está sendo dada pelo governo e pela oposição, disse Barbalho. Quem superdimensiona faz o jogo da quinta coluna da oposição.
A oposição acusava ontem o governo de criar um clima de tensão, ao tratar o protesto como tentativa de golpe. Há quatro meses, falamos desse protesto e, nos últimos 20 dias, o governo tenta carimbar a marcha como golpe, disse o deputado Marcelo Déda (SE). O PT também respondeu sobre a preocupação quanto à segurança. A marcha não terá nenhum contato com prédios públicos e somente 50 pessoas entrarão no Congresso para entregar um documento ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), afirmou o líder do partido na Câmara, José Genoino (SP).Líderes tentam reduzir importância do manifesto, calculam que não haverá 100 mil pessoas nas ruas e dizem que a expectativa é de um fiasco
Dida Sampaio/Agência EstadoNO RITMOIntegrantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) trabalhavam ontem, no final do dia, em ritmo acelerado na instalação do palanque na Esplanada dos Ministérios, onde vão falar os líderes





