Uma suposta manobra do governo do Estado para tentar minimizar a crise política gerada com as denúncias do ex-secretário de Fazenda de Maringá, Luis Antônio Paolicchi, provocou revolta da oposição. Deputados da base governista teriam ‘‘roubado’’ a idéia de criação de uma comissão suprapartidária para dar suporte às investigações do Ministério Público (MP). A proposta foi apresentada ontem pelo líder do governo na Casa, Durval Amaral (PFL) e surpreendeu os deputados que fazem oposição ao Palácio Iguaçu.
No depoimento prestado no dia 23 de fevereiro à Justiça Federal, Paolicchi disse que as campanhas do governador Jaime Lerner (PFL) e do senador Alvaro Dias (PSDB) receberam recursos desviados dos cofres públicos. Tanto Lerner quanto Alvaro sustentam que as declarações de Paolicchi são inverídicas.
O deputado Amaral reuniu, antes do início da sessão plenária de ontem, os líderes dos partidos aliados para comunicar a iniciativa do governo de instalar uma comissão suprapartidária, formada por sete deputados.
O líder da oposição, Orlando Pessuti (PMDB), não gostou da antecipação. ‘‘Não respeitaram o acordo feito hoje (ontem) de manhã, de que se esperaria uma decisão da oposição (marcada para hoje)’’, reclamou. ‘‘Não adianta se reunir porque as coisas mudam de uma hora para outra’’, desabafou. Depois, o deputado tentou ponderar. ‘‘Mas a intenção deles (aliados) é um bom sinal e mostra que nossa tese estava correta’’, disse Pessuti.
Se a comissão suprapartidária for instalada, os planos mais ambiciosos da oposição, de emplacar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ou um pedido de impeachment, ficam inviabilizados. Para alguns setores da oposição, isso não é um bom sinal. ‘‘É uma jogada do governo para minimizar o impacto do depoimento de Paolicchi’’, avaliou uma fonte da Folha.
Apesar da polêmica, antes do final da sessão, governo e oposição chegaram a um acordo e decidiram esperar pela reunião dos oposicionistas, marcada para hoje à tarde. Com isso, a apresentação do requerimento à mesa executiva, que o líder do governo pretendia fazer na sessão de ontem ficou adiado. ‘‘É melhor esperar a reunião da oposição. Não queremos criar um incidente nem polemizar’’, disse Amaral.
A tendência, sinalizada ontem nos bastidores, é que as bancadas aprovem mesmo a criação de uma comissão suprapartidária. A princípio, a bancada de oposição, que reúne 14 dos 54 deputados, trabalha com as três possibilidades. A CPI e o impeachment são medidas mais duras que, para serem implantados, dependeriam da maioria dos votos – o que a oposição não conta.
O deputado Irineu Colombo (PT) tem outra proposta, que vai apresentar hoje à bancada de oposição. Ele está elaborando um pedido para instalar uma Comissão Processante (CP) contra Lerner. Colombo está em fase de coleta de dados mas garante que tem em mãos, entre outros, documentos sobre os Jogos Mundiais da Natureza (realizados em 1997 na Costa Oeste) que podem viabilizar um pedido de impeachment. ‘‘Mas ainda vou apresentar a sugestão da Comissão Processante no encontro. Sei que alguns não vão concordar’’, avaliou.
Ontem à noite, o deputado pretendia se reunir com os outros três integrantes da bancada petista para conseguir apoio. ‘‘Se a idéia passar, deve levar dois meses para que seja aprovado o pedido de instalação. Não se pode brincar com isso. É mais complicado que criar uma CPI’’, explicou.

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