Governo luta para manter mínimo em R$ 300
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 11 de agosto de 2005
Agência Estado 
Brasília - O chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Jaques Wagner, reconheceu ontem que o governo terá muitas dificuldades para derrubar na Câmara o projeto de conversão aprovado no Senado que fixou o salário mínimo em 384,29 reais. Mas, segundo Wagner, mesmo com o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto, caso seja mantido pelos deputados como saiu do Senado, a administração federal tentará encontrar uma fórmula para sustentar o mínimo em 300 reais e não fazer recuá-lo para o valor de abril, de 260 reais.
''Encontraremos uma saída, ou derrubando na Câmara, ou dentro da legalidade, mas os 300 reais serão mantidos'', disse, após participar de uma reunião com a bancada do PT na Câmara. No encontro, o chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República ouviu que a bancada do partido não está disposta a assumir o ônus de ser contra os 384,29 reais, se o Poder Executivo não conseguir reunir apoios contra a proposta em outras legendas aliadas, como PP, PL, PTB e PMDB. Mas, segundo integrantes da bancada petista, Wagner recebeu avisos dessas siglas de que o Executivo não poderá contar com eles para essa votação. As agremiações aliadas à esquerda também resistem a arcar o desgaste de uma medida impopular.
''A decisão sobre o mínimo não pode ser uma decisão da base aliada do governo. Tem de ser uma decisão da Câmara porque envolve interesses de toda a sociedade. A oposição, que governa vários estados e municípios, tem de ser chamada a opinar. Por mim, eu voto a favor dos 384 reais'', disse o líder do PSB na Casa, Renato Casagrande (ES), que faz parte da base do Palácio do Planalto.
O presidente do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), Carlos Andreu Ortiz, acha arriscada a elevação do salário mínimo para R$ 384,29. Segundo Ortiz, a decisão dos senadores deve desembocar numa ''quebradeira geral'', principalmente das pequenas prefeituras. ''Como essas prefeituras, com o orçamento já aprovado para o ano que vem, vão conseguir pagar esse salário mínimo?'', questionou.
Ortiz ressaltou que R$ 300 não é o salário defendido pelo Dieese, mas reconheceu as dificuldades em realizar um aumento significativo do mínimo. ''Os R$ 384 seriam um salário justo, apesar de ainda ser menor do que o defendido por nós. Mas se ele for aprovado, teremos sérios problemas na economia '', afirmou Ortiz.


