Governo Lula está ''aguado'', diz Requião
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segunda-feira, 05 de julho de 2004
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) aproveitou o lançamento do ''Luz para Todos'', programa do governo federal para atender famílias rurais de baixa renda, e a presença de petistas como o diretor brasileiro da Itaipu Binacional, Jorge Samek, e o deputado federal, Florisvaldo Fier, ontem pela manhã no Palácio Iguaçu, para criticar mais uma vez a administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Desta vez, o governador do Paraná apontou o que ele chama de ''direitização'' do governo federal. Foi o primeiro ataque ao governo Lula depois de formalizada a aliança entre o PMDB e o PT em Curitiba, o principal colégio eleitoral do Estado.
''Quero fazer votos que o governo Lula não vacile quando precisar vetar projetos entreguistas, porque os rumos que as coisas estão tomando são piores do que eram no governo FHC (Fernando Henrique Cardoso). É a direitização, a dependência como instrumento do desenvolvimento.'' Em seguida, Requião criticou a versão do hino nacional, tocada a pedido do Ministério das Minas e Energia. '''O hino foi transformado em algo malemolente, que não faz ninguém vibrar. É um hino aguado. Não quero um governo aguado, não quero um Lula aguado.''
Citando o programa Eletrificação Rural, implantado em governo anterior, Requião afirmou que na época o Estado sozinho tinha condições de bancar um programa desse tipo sem ajuda federal. ''Quase conseguimos acabar com o problema da falta de energia no Estado. Mas por conta do neoliberalismo, do entreguismo é que os governos anteriores foram impedidos de agir. E hoje não temos mais o Banestado, que viabilizaria um programa dessa intensidade.''
''Mas ainda, ainda, temos a Copel (Companhia Paranaense de Energia). E por isso o Paraná é alvo da ira e do desespero de toda a direitona nacional.'' Requião aproveitou para fazer um desabafo sobre as críticas que diz estar sendo vítima nacionalmente. ''Mantemos a postura de aliança com o PT, mas com aquele que nos mobilizou a apoiar a candidatura de Lula, mesmo contra as orientações do prório partido. Confesso que vivo um momento de angústia. Estou apanhando sozinho dos jornalões (numa referência ao editorial de O Estado de São Paulo, que fez críticas à sua administração). Não tenho defesa no Congresso Nacional e a imprensa, completamente acoelhada, bate no governo do Estado do Paraná.''
O governador referiu-se às avaliações que vem recebendo por suas posições em temas polêmicos como pedágio, reforma agrária e sua relação com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), aumento de capital da Companhia Paranaense de Saneamento (Sanepar), entre outros assuntos que vêm tomando conta dos noticiários estadual e nacional nos últimos dias.


