Brasília - A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, afirmou ontem que o crescimento dos pagamentos pendentes no governo federal, de um ano para o outro, é fruto de investimentos feitos nos últimos anos. Reportagem publicada pelo jornal ''O Estado de S.Paulo'' mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixará a seu sucessor um saldo a pagar de R$ 90 bilhões, segundo estimativa da área técnica. Será um novo recorde, superando os R$ 72 bilhões de contas penduradas que passaram de 2009 para 2010.
Os valores têm aumentado a cada ano do governo Lula. Em 2002, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) deixou R$ 22,6 bilhões para o petista pagar. Ontem, ao visitar uma feira em Ceilândia (Distrito Federal), Dilma criticou a comparação. ''Querem comparar um governo regido pelo Fundo Monetário com um governo que está com o País crescendo a 7%. Proporcionalmente é mais emprego, política pública, mais saúde, melhoria nas condições da educação brasileira. Resto a pagar é investimento'', disse a ex-ministra.
Ela criticou ainda o governo anterior por, segundo a candidata - não investir. ''Não se investia em 2002. O Brasil estava em crise em 2002. Que história é essa de comparar restos a pagar de 2002 com o Brasil sem taxa de investimento, com queda violenta de atividade econômica, com uma crise fiscal violenta, com a inflação saindo do controle e com uma dívida externa que chegou a colocar o Brasil de joelhos diante do Fundo Monetário?'', disse.
Essas despesas que passam de um ano para outro são os chamados ''restos a pagar'' e ocorrem porque os ministérios, em muitos casos, contratam uma obra que não é concluída até dezembro. Como o governo se comprometeu (empenhou) a pagar a despesa, a conta acaba sendo jogada para o ano seguinte. Dados levantados pelo site Contas Abertas, a pedido da reportagem, mostram que, em 2009, o governo tinha R$ 57,068 bilhões para investir, mas a conta de restos a pagar das obras contratadas nos anos anteriores era de R$ 50,850 bilhões. Ou seja, se tivessem sido quitadas todas as obrigações pendentes, sobrariam R$ 6,218 bilhões para investimentos novos.
O dado parcial de 2010, até junho, mostra que o saldo de restos a pagar em investimentos está em R$ 53,7 bilhões, para uma dotação de R$ 63,9 bilhões. No caso do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), há restos a pagar de R$ 30 bilhões, para um orçamento de R$ 24 bilhões.

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