Brasília - Em 2004, apenas 19%, em média, do total de emendas apresentadas pelos deputados e senadores à proposta orçamentária de 2004 foram liberados pelo governo. Além disso, somente em 2004 o governo cumpriu com as promessas feitas em 2003 e liberou R$ 1,1 bilhão de restos a pagar, referentes a emendas de parlamentares feitas ao Orçamento do primeiro ano do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Relatório de acompanhamento da execução orçamentária e financeira de 2004 aponta ainda que os partidos da base aliada, que, recentemente, impuseram à administração federal uma derrota acachapante com a eleição do presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), são os mais privilegiados com a liberação de verbas orçamentárias. Pelo estudo, os deputados do PTB lideram o ranking de liberação de emendas apresentadas ao Orçamento do ano passado, com 31,9% das emendas pagas. O PP, que traiu o governo e votou em peso em Cavalcanti, é o terceiro partido na liberação de verbas orçamentárias, com 23,9% de emendas pagas no ano passado.
Já o PFL, que faz oposição ao Planalto, vem na lanterninha, com apenas 8,3% das emendas dos parlamentares do partido liberadas.
''Fomos bem aquinhoados porque colocamos a maioria de nossas emendas no Ministério do Turismo'', afirmou o líder do PTB, José Múcio Monteiro (PE). Ele explicou que orientou a bancada da Câmara a apresentar emendas ao Orçamento no turismo porque a pasta é comandada pelo petebista Walfrido Mares Guia. ''É um ministro que nos atende e por isso nossas emendas fluíram. O nosso percentual de liberação era até para ser maior. Mas teve parlamentar que não seguiu a minha recomendação e não pôs emenda no Turismo'', disse.
Na avaliação de Múcio, a liberação média de 19% do total das emendas dos parlamentares ao Orçamento de 2004 é muito baixa. No ano passado, foram apresentados R$ 5,2 bilhões em emendas de parlamentares.

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