Governo lava as mãos na PEC da Reeleição
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terça-feira, 18 de maio de 2004
Agência Estado 
Brasília - Com alguns dos principais aliados envolvidos diretamente na disputa, o governo preferiu lavar as mãos na disputa pela aprovação da proposta de emenda constitucional (PEC) que garante a possibilidade de reeleição para os presidentes da Câmara e do Senado, que pode ser aprovada hoje na Câmara.
De um lado, os presidentes do Congresso, senador José Sarney (PMDB-AP), e da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), trabalham pela possibilidade de garantirem mais um mandato. Do outro, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), líder no Senado do maior partido da base governista, tenta dinamitar a proposta para concorrer à sucessão de Sarney.
Na verdade, a maior preocupação do Palácio do Planalto é a de tentar evitar os efeitos colaterais que podem ser produzidos pela disputa. No caso de um impasse entre os dois grupos, o Planalto teme que cresça o movimento para dar ao senador tucano Tasso Jereissati (CE) a presidência do Senado. Concretizada essa hipótese, o governo não teria mais um aliado no comando da Casa, como tem hoje com Sarney.
Independentemente disso, Cunha tentará aprovar hoje, em plenário, a proposta. ''Vou pôr a emenda em votação'', anunciou Cunha, certo de que tem os 308 votos necessários para aprová-la. Mas, segundo um líder do PMDB que trabalha pela reeleição, a segurança do presidente da Câmara pode esbarrar na reunião da bancada do partido marcada para as 10h.
Depois de acompanhar de perto cada movimento da bancada, o líder concluiu que a maioria peemedebista favorável à reeleição inverteu-se nas últimas 72 horas, o que torna a votação da PEC uma operação de risco para Cunha. A análise geral é de que as circunstâncias favorecem o petista pelo fato de a votação ser aberta e nominal, e tende a reforçar Cunha no plenário.
Mas os aliados do petista não se deixaram abater. Ao contrário, contabilizaram a maioria folgada pró-reeleição na bancada petista, que debateu a emenda ontem por quatro horas seguidas. ''A maioria em favor de João Paulo na bancada do PT foi muito ampla, o que reduz as resistências ainda existentes'', avalia o deputado Paulo Bernardo (PT-PR).


