Governo lança pacote de boas notícias
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sábado, 21 de junho de 2003
João Domingos<br>Agência Estado 
Brasília - A decisão do governo federal de reduzir os juros em 0,5% e, simultaneamente, anunciar a liberação de R$ 800 milhões neste mês para obras de infra-estrutura em habitação, saneamento e construção e recuperação de rodovias foi antecipada pelo Palácio do Planalto por causa da angústia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com os quase seis meses de notícias negativas sobre a economia. Esse governo é muito sensível ao que dizem os meios de comunicação, conta Oded Grajew, assessor especial do presidente.
A intenção do governo era a de só anunciar o fim da transição da política econômica do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para a de Lula depois da aprovação das reformas da Previdência e tributária. Mas a estabilidade do dólar, o superávit primário de 6,3%, muito acima da meta de 4,25%, e os resultados favoráveis da balança comercial levaram o Planalto a mudar de atitude.
Além da queda dos juros e do anúncio da liberação de R$ 800 milhões para obras de infra-estrutura, feito pelo ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, numa reunião com os líderes dos partidos aliados, o governo resolveu tirar proveito também de outras notícias positivas, como a liberação de R$ 32,5 bilhões para a safra agrícola, o fim das restrições ao funcionamento das cooperativas e a redução nos juros de empréstimos dos bancos oficiais, tudo isso reservado para divulgação nos próximos dias.
Começamos a criar as condições para mudar de rumo quando, no mês passado, o ministro do Planejamento, Guido Mantega, anunciou o descontingenciamento de R$ 1,05 bilhão do Orçamento, afirma o presidente do PT, José Genoino. Desde o início do governo nós estamos trabalhando para criar as condições para os investimentos, completa ele.
Surpresa - As mudanças pegaram de surpresa até o ministro José Dirceu. Na terça-feira, numa reunião com os coordenadores petistas, Dirceu anunciou que não haveria alterações na economia até que houvesse segurança para isso. Mas, no dia seguinte, num café da manhã com os líderes dos partidos aliados, comunicou em primeira mão que R$ 800 milhões seriam liberados ainda neste mês.
Há pouco mais de 20 dias, Dirceu estava muito cético. Numa entrevista que deu dia 26 de maio ele disse, quando perguntado sobre a queda nos juros: Não está na hora. A situação do País continua gravíssima e a situação internacional tende a se agravar. Questionado sobre qual seria a hora para os juros caírem, o ministro respondeu: O governo está criando as condições. Mandou ao Congresso os projetos das reformas tributária e previdenciária, vai mudar as leis de falência, fiduciária, as cédulas de crédito bancário e imobiliário, está reorganizando a política de investimento do BNDES, do Banco do Brasil e da Caixa. Só as reformas derrubam os juros de verdade.
Os juros começaram a cair muito antes do previsto, pois as primeiras reformas só deverão ser aprovadas em outubro e a Lei de Falências está empacada no Congresso. O governo tem a informação de que a situação está ruim, porque a herança deixada pelo ex-presidente Fernando Henrique é triste. Mas sabe também que, quanto mais arrocha os juros, mais cria problemas para a economia, causa a quebradeira dos empresários. Com a queda do risco Brasil, do dólar e da inflação futura, o presidente Lula percebeu que era hora de fazer as primeiras mudanças, diz o deputado Valdemar Costa Neto (SP), líder e presidente do PL do vice José Alencar. Mas nós queremos que os juros caiam mais.
Na terça-feira, um dia antes de o Conselho de Política Monetária (Copom) reduzir os juros em 0,5% e de o ministro José Dirceu contar aos líderes dos partidos aliados que o governo liberaria quase R$ 1 bilhão para obras de infra-estrutura, o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, ao lado do presidente Lula, divulgou um roteiro para a nova agenda de desenvolvimento econômico. A prioridade da agenda, segundo Palocci, é a expansão e melhoria da infra-estrutura, para a retomada do crescimento econômico, inclusive pelo seu impacto na redução do custo Brasil.
Entre as obras consideradas fundamentais pelo governo estão a Ferrovia Transnordestina, a conclusão da duplicação da Regis Bittencourt (Curitiba/São Paulo), da Fernão Dias (São Paulo/Belo Horizonte) e da BR-101 no Sul, além da Cuiabá-Santarém.


