Governo lança ofensiva contra ACM
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segunda-feira, 05 de março de 2001
Sônia Cristina Silva Agência Estado De Brasília 
Líderes governistas e dos partidos da base aliada deflagarão hoje uma operação articulada no Congresso para defender o governo dos ataques do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). Escalado ontem para anunciar a ofensiva, o líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM), antecipou que deverão ser demitidos os indicados pelo senador baiano que ocupam cargos federais como o presidente das Centrais Elétricas Brasileiras (Eletrobras), Firmino Sampaio.
Virgílio Neto disse ainda que o governo poderá apoiar um eventual processo de cassação de ACM, caso se comprove a hipótese da participação dele na violação do sigilo da votação secreta que resultou no afastamento do ex-senador Luiz Estevão (PMDB-DF).
Virgílio Neto admitiu que faltou articulação dos aliados do governo e que a operação de resposta a ACM foi demorada. Citando nomes de líderes do governo e do PSDB, ele disse que o contra-ataque se inicia na tarde de hoje, com a realização de discursos no plenário da Câmara e do Senado. Quem não faz gol leva. O governo vai defender-se para dizer que não é leniente com a corrupção coisa nenhuma, afirmou.
O líder governista associou a operação de defesa do governo à necessidade de evitar que uma tensão política que ele qualificou de crise de quinta categoria venha a atrapalhar um momento favorável da economia brasileira. Se o senador quer guerra contra a estabilidade, aceito, disse.
Virgílio Neto ainda chamou o senador baiano de oposição de extrema direita. Ele acrescentou que o presidente Fernando Henrique Cardoso está pensando em demitir um monte de gente. O líder do governo afirmou ser natural a busca por quem tenha afinidade com o governo. É natural que, mexendo no Ministério das Minas e Energia, mexa-se também na Eletrobras.
Para Virgílio Neto, a abertura de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar denúncias de corrupção no governo, como quer a oposição, não tem sentido porque não haveria, a seu ver, fato determinado. Entre as acusações, Virgílio Neto respondeu a que trata do suposto envolvimento do ex-diretor do Banco do Brasil (BB) Ricardo Sérgio em irregularidades na privatização da Telebras. Não é suficiente a palavra do senador, disse Virgílio Neto. Para incriminar, é preciso prova.
O líder também disse que o governo vinha investigando a Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e lembrou que o Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) está sob intervenção. Sobre os ataques do senador ao ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, Virgílio Neto insistiu que não há nada de concreto.


