Acauã O governo federal aproveitou o lançamento do projeto-piloto do Cartão-Alimentação uma das ações do Programa Fome Zero ontem em Acauã (PI), para voltar a defender o programa e dizer que ''não quer improvisar''. Em seu discurso para cerca de mil pessoas, segundo a polícia, em frente à Câmara Municipal, o ministro Ciro Gomes (Integração Nacional) disse que o governo não vai ''esperar para fazer modelo bonito''. E explicou: ''Vamos aprender fazendo''.
''Quem nunca fez nada, quem nunca bateu um prego em uma barra de sabão põe defeito com a maior facilidade naquilo que os outros estão tentando fazer para trabalhar. Isso já começou a acontecer. Mas nós não vamos deixar que esses que só sabem botar defeito destruam esse momento de comunhão entre o povo e seus governantes'', afirmou.
Ao lado de Ciro estavam os ministros José Graziano (Segurança Alimentar e Combate à Fome), Benedita da Silva (Assistência e Promoção Social) e Olívio Dutra (Cidades), além do governador Wellington Dias (PT-PI).
O Fome Zero vem enfrentando críticas de especialistas e até de integrantes do PT em vários pontos. Entre eles a vinculação do uso do recurso do cartão à compra de alimentação, a exigência de comprovante do gasto e a falta de um modelo definido. ''Não vamos esperar. Vamos aprender fazendo, começando por aqui, e logo teremos mais de 1 milhão de famílias atendidas'', disse Ciro.
Mais tarde, na visita a uma cisterna no distrito de Baraúna (a 7 km de Acauã), o assessor especial da Presidência Frei Betto, ao comentar sobre a escolha das duas cidades para o projeto-piloto (Acauã e Guaribas), disse que querem divulgar um modelo a ser aplicado em outros locais. ''Queremos dar os passos certos para não improvisar, não ficar díspares. Não queremos que o programa seja só governamental, mas que a sociedade assuma esse protagonismo.''
Segundo Frei Betto, devem ser atendidos 180 municípios do semi-árido até julho, com a meta de chegar a mil até o final do ano. Também estão incluídos entre as prioridades de atendimento aldeias indígenas, acampamentos rurais e remanescentes de quilombos. O governo ainda não divulgou os critérios de seleção dos municípios a serem atendidos.
Ao falar sobre a escolha de Acauã, o assessor especial da Presidência reconheceu que o Piauí, além dos índices de pobreza, foi selecionado devido ao governo estadual ''estar afinado com o federal''. O governador é do PT.
Além de ações já divulgadas anteontem em Guaribas, como o programa para erradicar o analfabetismo, a construção de casas populares e de cisternas, o ministro Graziano disse que será feito um estudo da carência nutricional da população beneficiada no Piauí pelo Cartão-Alimentação.
Em Acauã serão construídas apenas seis casas das 80 que seriam necessárias. Em relação às cisternas, estão em construção 70 e o governo estadual autorizou outras 347. Segundo Graziano, outra prioridade é a criação de feiras nas duas cidades para que a população tenha acesso a alimentos produzidos na região.
As mil famílias que serão atendidas com o Cartão-Alimentação começam a receber os R$ 50 mensais a partir do dia 27. Acauã tem 5.147 moradores, dos quais 2.485 não têm renda e outros 1.533 recebem apenas um salário mínimo, de acordo com dados de 2000 do IBGE.

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