Governo já admite negociar taxação de aposentados
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quarta-feira, 07 de maio de 2003
Agência Estado 
Brasília- O governo admite negociar o ponto mais polêmico da reforma da Previdência: a taxação dos servidores públicos aposentados que ganham mais de R$ 1.058,00. A possibilidade foi revelada ontem durante conversa entre o senador Paulo Paim (PT-RS) e o presidente nacional do PT, José Genoino. Na tentativa de isolar o movimento dos radicais petistas, Genoino procurou Paim no gabinete dele e avisou que a cobrança previdenciária dos inativos não é imutável.
Horas antes da conversa com o presidente do PT, Paim participara de uma reunião da Frente Parlamentar e de Entidades em Defesa da Previdência Pública. Apesar de sempre defender o diálogo com o governo, fez várias críticas à proposta enviada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e disse que votaria contra a taxação. Falou na necessidade de ''atos públicos'' para forçar o governo a mudar o projeto.
Depois do encontro com Genoino, estava mais ameno. ''Vamos construir uma saída negociada e, consequentemente, não votaremos mais contra'', afirmou o senador. No tête-à-tête, Genoino disse a Paim que Lula só incluiu a questão dos inativos no projeto de reforma por pressão dos governadores. Agora, se a aprovação da emenda ficar emperrada por causa deste item, uma das alternativas é empurrar a questão para os Estados.
Se isso ocorrer, o texto do Planalto será modificado para autorizar os governadores a enviarem às respectivas Assembléias Legislativas projetos de emenda constitucional com proposta de taxação dos servidores aposentados - cada Estado arcaria com o ônus de fazer a cobrança previdenciária.
Nos corredores do Congresso, a taxação dos inativos é comparada à história do ''bode'' que na última hora é tirado da sala.
''Se nós estamos no mesmo barco, vamos buscar as melhores saídas para o governo'', disse Genoino. O presidente do PT negou que, ao bater à porta do gabinete de Paim, tivesse a intenção de enquadrá-lo.
''Aqui não existe nem rolo compressor nem enquadramento'', bradou.


