Governo já admite atraso na votação
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 10 de janeiro de 1997
Agência Estado De Brasília 
Agência EstadoRecuo estratégicoO deputado Vic Pires (D), relator da emenda, abraça o líder do governo Benito Gama (C): data da posse volta a ser 1º de janeiro
A votação no plenário da emenda constitucional da reeleição poderá sofrer atraso de uma semana e só ocorrer no dia 21. Os líderes dos partidos aliados ao governo passaram a trabalhar com várias datas depois que o presidente da comissão especial da reeleição, Odacir Klein (PMDB-RS), convocou a votação para a terça-feira, dia 14. O exame no plenário estava planejado para o dia 15, mas todos passaram a considerar muito difícil esta possibilidade, por causa da exigência de intervalos regimentais.
Para que a votação possa ser feita no dia 15, à noite, será necessário terminar a apreciação da emenda na comissão especial até às 14 horas da terça-feira. Se o exame da emenda na comissão especial ultrapassar as 14 horas, será impossível a votação no dia 15, porque a sessão ordinária inicia-se exatamente às 14 horas. É exigido o intervalo de duas sessões para que uma emenda apreciada em comissão especial seja levada ao plenário. Adiar para o dia 21 é ruim, mas não é o fim do mundo, disse o líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE).
A comissão especial necessitou de apenas três sessões para encerrar o período de debates e deixar a emenda da reeleição pronta para ser votada na próxima semana. Na terça-feira à noite a sessão foi improdutiva. Os deputados de oposição, com o PPB do ex-prefeito Paulo Maluf, fizeram obstrução e conseguiram adiar os debates para a quarta-feira. Realizada essa sessão, à noite, falaram oito deputados. Ontem de manhã houve a terceira, com três participações e a votação do requerimento de fim dos debates.
A força dos defensores da reeleição ficou clara na votação do requerimento de encerramento das discussões. Como era previsto, o governo teve 19 votos, contra 5 das oposições e 2 declarações de obstrução feitas pelo PPB. O PMDB, que só vai decidir no domingo como votará a reeleição, deu apoio ao fim dos debates. Os deputados Carlos Nelson (SP) e João Natal (GO), que aguardam a convenção nacional do partido, não compareceram. Foram substituídos pelos suplentes Armando Abílio (PB) e José Priante (PA).
O relator da emenda da reeleição, Vic Pires Franco (PFL-PA), voltou atrás e deixou a data da posse de presidente da República, governadores e prefeitos exatamente como está hoje: dia 1º de janeiro. Na primeira versão do projeto, ele havia transferido a cerimônia para o dia o dia 10 de janeiro. Vic Pires alterou a data da eleição: de acordo com o projeto atual, o primeiro turno será no primeiro domingo de outubro e o segundo, no último domingo do mesmo mês. A eleição, atualmente, é realizada no dia 3 de outubro (primeiro turno) e 15 de novembro (segundo turno).


