Há cerca de dois anos o governo brasileiro sabia da existência de uma conta do ex-prefeito Paulo Maluf nas Ilhas de Jersey, paraíso fiscal da Inglaterra. Em 1999, as autoridades britânicas informaram à Polícia Federal sobre a movimentação suspeita do ex-prefeito, mas por se tratar de informações ainda em caráter sigiloso, não houve nenhum procedimento judicial e o caso ficou restrito aos Ministérios da Fazenda e da Justiça dos dois países.

O governo inglês enviou para o Brasil diversos pedidos de informações sobre Maluf, principalmente sobre suas atividades no País. ''Eles queriam saber quem era ele e o que fazia, porque sua conta estava sob suspeita'', afirma um delegado que participou dos contatos com as autoridades da Inglaterra. E não era apenas Maluf que estava sob suspeição. O governo inglês pediu informações também sobre os filhos do ex-prefeito, noras e da mulher Sylvia.

Segundo o delegado da Polícia Federal, por tratar-se apenas de pedido de informação, em caráter sigiloso, as autoridades brasileiras foram impedidas de abrir inquérito. ''O caso foi encaminhado para a Secretaria Nacional de Justiça e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que trocaram as informações com a Inglaterra'', afirma a fonte da Polícia Federal.

Em nenhum dos comunicados feitos pelo governo inglês às autoridades brasileiras houve referências de valores. ''Pode ser recursos altíssimos, já que a conta foi considerada sob suspeita'', informou o policial, ressaltando que o Brasil não pôde iniciar negociações para investigações, já que os dois países não têm acordo com esta finalidade. A estimativa do MP de São Paulo é que os recursos que estão na Ilha de Jersey possam chegar a US$ 200 milhões.

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