Governo imprime tom eleitoral político em inauguração no HU
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sexta-feira, 15 de maio de 2009
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
O governo do Paraná imprimiu ontem um forte tom político à inauguração das obras de ampliação do Pronto-Socorro do Hospital Universitário. No evento, que contou com a presença do governador, Roberto Requião (PMDB), do vice, Orlando Pessuti, e de três secretários estaduais, foram fartas as comparações com a gestão do ex-governador Jaime Lerner e também não faltaram referências às eleições ao Palácio Iguaçu, em 2010.
O recado mais direto foi emitido pelo próprio governador durante seu pronunciamento. Após citar as ''conquistas'' obtidas pelo governo peemedebista, Requião disse: ''Isso me leva a uma preocupação que, ao encerrar minha intervenção, quero passar para vocês. Como é que esse governo (..), que tem tido resultados impressionantes, pode ter continuidade? Reflitam muito, nas alianças que os partidos fazem, nos candidatos (...). Para mim, a grande tristeza seria de, tendo chegado aonde chegamos, nós acabássemos por produzir, no processo democrático de uma eleição, um retrocesso significativo. O esforço foi grande (...) e não podemos voltar atrás.''
Ao término da solenidade, questionado pela FOLHA, Requião voltou a insistir. ''Não devemos permitir que tudo que significou avanço no Paraná volte atrás.'' O governador, porém, se recusou a responder sobre a forma que vai atuar para que seu governo tenha ''continuidade'' política.
O tom político na inauguração no HU também envolveu o vice-governador, Orlando Pessuti - pré-candidato peemedebista ao governo do Paraná. Para que Pessuti tivesse tempo de chegar a outro evento do governo, na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), ele teve seu pronunciamento antecipado durante a solenidade.
As articulações para as eleições estaduais de 2010 se iniciaram, de forma mais clara, durante a Exposição Agropecuária de Londrina, no mês passado. De lá para cá, o senador Osmar Dias (PDT), que também já se lançou na disputa, promoveu dois encontros com prefeitos, em Foz do Iguaçu e Maringá. Pessuti e Osmar já declararam não aceitar abrir mão da disputa.
Os outros dois partidos que também integram as articulações operam de forma mais silenciosa. O PT, que tem o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, como pré-candidato, já sinalizou que aceitaria a vaga de vice numa chapa se isso reforçasse o palanque paranaense da candidata do partido à disputa pela presidência da República, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef.
Já o PSDB tem, segundo as pesquisas de opinião, os dois pré-candidatos com maior intenção de voto no momento: o senador Alvaro Dias e o prefeito de Curitiba, Beto Richa. A forma de atuação de ambos, porém, é distinta: enquanto Alvaro vem declarando que pretende disputar o governo, o prefeito declara que ainda é cedo para o lançamento das candidaturas.
Encontro
O prefeito Barbosa Neto (PDT) e o deputado federal, Luiz Carlos Hauly (PSDB), voltaram a se encontrar em solenidades públicas nesta sexta-feira, passados 45 dias do ''terceiro turno'' das eleições municipais. E em dose dupla. Pela manhã, Hauly compareceu à cerimônia na prefeitura para lançamento do Estatuto Municipal do Micro e Pequena Empresa. À tarde, voltaram a se encontrar no HU, onde se cumprimentaram. Nenhum dos dois fez comentários sobre os encontros.


