Governo impede votação de 70 requerimentos na CPI
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quinta-feira, 14 de julho de 2005
Eugênia Lopes<br> Brasília 
Brasília - O governo impediu ontem que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) Mista dos Correios votasse mais de 70 requerimentos que previam, entre outros, as quebras de sigilos bancário, fiscal e telefônico do ex-ministro José Dirceu e de três ex-dirigentes do PT (José Genoino, Delúbio Soares e Sílvio Pereira), além da convocação do secretário de Comunicação, Luiz Gushiken. A oposição saiu derrotada e teve de se conformar com as autorizações formais enviadas à CPI por Dirceu e os três petistas permitindo a quebra de seus sigilos. A direção do PT também entregou autorização para que a Comissão faça uma devassa nas contas do partido.
''Quer-se apenas conquistar manchetes de jornal. É um contrasenso votar esses requerimentos de quebra de sigilo, uma vez que os interessados já autorizaram essa quebra. A tática da oposição é levar a CPI para um embate eleitoral'', argumentou o deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP). ''Não queremos artimanhas, armações e artifícios usados pela base aliada para que os seus parlamentares não tenham de passar pelo constrangimento de votar contra a quebra desses sigilos'', disse o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA). ''É a primeira vez que os investigados dão autorização para fazer a investigação'', observou o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR). ''Essas autorizações não têm validade jurídica nenhuma; são apenas uma demonstração de boa vontade'', completou o deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ).
Depois de se reunirem reservadamente por quase três horas durante a manhã de ontem, os integrantes da CPI aprovaram por acordo 11 requerimentos com a quebra de sigilo de empresas como a Skymaster Airlines e envolvidos em supostas irregularidades nos Correios e a permissão para que a Comissão faça uma devassa nas contas de todos os partidos políticos junto ao Banco do Brasil, Banco Rural e Banco de Minas Gerais (BMG).


