Governo ignora
apelo de Temer em
defesa da inflação
As declarações do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), em defesa de ‘‘um pequeno aumento de inflação’’, em troca de maiores somas de recursos para os programas sociais, dificilmente serão atendidas pelo governo. Os próximos meses que antecedem a realização das eleições serão marcados por uma priorização dos gastos do Tesouro Nacional para projetos na área social, mas, em nenhuma hipótese, irão impor risco ao controle da estabilidade da moeda.
O governo vai operar ‘‘administrativamente’’ nos próximos meses, de forma a impedir um estrangulamento das ações na área social, sem, no entanto, desviar a rota traçada no início do mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso. Os economistas do governo têm claro que a tese de acordo com a qual um pouco de inflação não tem problema é uma falácia. ‘‘Na hora em que o governo aceitar um pouco mais de inflação, a estabilidade estará comprometida’’, sustentam.
O ministro da Fazenda, Pedro Malan, deu o tom da posição que defende desde que assumiu o cargo, sob a liderança de Fernando Henrique. Depois de enumerar uma série de argumentos em defesa do controle da inflação, o ministro insistiu na tese de que a inflação ‘‘é um imposto compulsório’’ incidente, desproporcionalmente, sobre os mais pobres. Segundo ele, esta é a razão pela qual não abrirá mão de manter a inflação sob controle e que espera seja o compromisso de todo e qualquer governo ‘‘que venha a nos suceder, em qualquer tempo.’
A posição de Malan é a mesma revelada pelo presidente do Banco Central (BC), Gustavo Franco, que, garantem, é endossada por FHC. Assim, o que se pode esperar nos próximos meses é uma ação do governo de priorização de gastos - os recursos que serão usados nos programas sociais são os existentes no orçamento. Franco usa a imagem de que o governo ‘‘não irá pintar dinheiro’’, um sinal claro de que não serão abertos novos créditos para financiar os gastos sociais. (AE)

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