Curitiba - Para conseguir o apoio da base aliada na Assembleia Legislativa (AL), aparentemente rachada, e amenizar os conflitos com o funcionalismo, o governo do Paraná aceitou rever alguns pontos polêmicos do pacote fiscal. O quinquênio de 5% por tempo de serviço, o anuênio e as atuais regras para progressões e promoções nas carreiras docentes foram mantidos. Também não serão mais extintos o vale-transporte para servidores afastados de suas funções e o direito a licenças, cuja concessão caberá exclusivamente ao secretário da Educação ou ao diretor geral da pasta.
Costurado pelo líder do governo, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), em conjunto com o governador e com secretários de Estado, o acerto foi sacramentado durante uma reunião na noite de anteontem. Até então, membros da bancada governista, puxados pelo PSC, vinham se mostrando reticentes aos projetos. Por outro lado, a gestão tucana não abriu mão de outras propostas impopulares, como a utilização dos fundos estaduais para cobrir despesas de qualquer natureza, e as alterações no regime de previdência – estima-se que a administração possa utilizar a poupança de R$ 8 bilhões acumulada pelo fundo nos últimos 15 anos.
Um dos membros da Casa que havia confirmado voto contrário ao pacote, Tercílio Turini (PPS) lamentou o fato de o governo ter colocado deputados novatos e da base "numa situação tão complicada". "O movimento não é mais só dos sindicatos. É da população como um todo, indignada com os projetos. Foi uma atitude política desastrosa", opinou. O líder da oposição Tadeu Veneri criticou a "série de inconsistências e inconstitucionalidades das propostas. "Os fundos previdenciário e financeiro não podem ser fundidos. Não é possível quebrar o ‘cofrinho’ da previdência e pegar R$ 8 bilhões. O governador não perdeu só a vergonha; perdeu o juízo."
Romanelli, por outro lado, defendeu as mudanças asseguradas pelo substitutivo, argumentando que elas garantem os direitos dos trabalhadores. Em relação à fusão dos fundos previdenciários, ele justificou que todos os recursos serão utilizados "exclusivamente para o pagamento das aposentadorias". (M.F.R.)

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