Governo gastou R$4,43 mi com publicidade
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sexta-feira, 30 de abril de 2004
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os gastos com publicidade oficial no primeiro ano de mandato do governador Roberto Requião (PMDB) foram quase 19 vezes menor do que a quantia gasta em 2002, no último ano do governo Jaime Lerner (PSB). Segundo dados da Secretaria de Estado da Comunicação Social enviados à Comissão de Fiscalização da Assembléia Legislativa, foram gastos com publicidade em 2003 R$ 4,43 milhões. Em 2002, o governo estadual gastou um total de R$ 82,6 milhões.
A maior parte dos gastos com propaganda foi destinada à divulgação do programa Luz Fraterna, que isenta as famílias mais carentes da cobrança da tarifa de energia elétrica. Pelo balanço do governo, a Companhia Paranaense de Energia (Copel) gastou R$ 3,1 milhões para divulgar o programa, o que equivale a 70% dos gastos totais da Secretaria de Comunicação com publicidade no ano passado.
Os gastos com publicidade em 2003 não chegaram a um décimo do que estava previsto no orçamento estadual para a pasta. Um dos motivos para os gastos reduzidos foi o fato de que o edital que selecionou as agências credenciadas a fazer a publicidade do governo foi contestado na Justiça pelo ex-secretário de Governo de Lerner José Cid Campêlo Filho, atrasando em pelo menos três meses o cronograma da secretaria.
Alguns dos pagamentos feitos pela secretaria chamam a atenção pela disparidade nos valores. As rádios 96 Rádio Rock e Globo AM, de propriedade do empresário Joel Malucelli, receberam respectivamente R$ 120 mil e R$ 110 mil para divulgar o programa Luz Fraterna, muito acima da média de R$ 7,3 mil paga às outras rádios contratadas pelo governo. Com exceção das duas emissoras, nenhuma outra rádio recebeu mais de R$ 18 mil para divulgar o projeto da Copel.
Outro dado que chama atenção é a quantidade de repasses ao jornal de Curitiba Hora H, de propriedade do empresário Cícero Cattani. Apesar da pouca circulação, o Hora H recebeu R$ 119,7 mil do governo em 16 pagamentos em 2003. Segundo o levantamento, os dois jornais de maior circulação do Paraná (Folha de Londrina e Gazeta do Povo) receberam respectivamente R$ 11,8 mil e R$ 21,6 mil.
A escolha dos veículos de comunicação de fora do Estado que receberam verbas publicitárias também é curiosa. Os cinco veículos que mais receberam recursos são manifestadamente contra o neoliberalismo, posição coincidente com a apregoada pelo governador Roberto Requião (PMDB). O jornal Pasquim, composto por cartunistas e escritores relacionados à ''esquerda festiva'' do Rio de Janeiro, recebeu R$ 70,2 mil. As revistas Reportagem e Caros Amigos, que têm a colaboração de intelectuais de esquerda, receberam respectivamente R$ 55,1 mil e R$ 23,4 mil. O jornal Brasil de Fato, fundado durante o Fórum Social Mundial de Porto Alegre, recebeu R$ 31,2 mil e o tablóide pró-Lula Hora do Povo, famoso por suas manchetes sensacionalisas, recebeu R$ 20,5 mil. A Folha tentou contato com o secretário de Comunicação Airton Pisseti, para detalhar os critérios de distribuição, mas foi informada de que o secretário estava em viagem ao interior.


