Governo gastou 2,4 bilhões com salários em 96
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quinta-feira, 17 de abril de 1997
Leandro Donatti Sucursal de Curitiba 
O governo do Paraná gastou R$ 2,4 bilhões com a folha de pagamento e encargos sociais dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, o Ministério Público, autarquias e demais órgãos do governo em 96. É o que aponta o balanço anual, entregue na manhã de ontem à Assembléia Legislativa, pelo chefe da Casa Civil, Giovani Gionédis, e pelo secretário da Fazenda, Miguel Salomão. Os dois secretários levaram à Assembléia um pacote de oito volumes com detalhamentos do balanço.
As receitas e despesas apresentaram equilíbrio. Ambas foram avaliadas em R$ 5,4 bilhões, de acordo com o documento que será encaminhado na próxima terça-feira ao Tribunal de Contas do Estado para a emissão de um parecer prévio. Conforme o documento, o governo gastou R$ 110,1 milhões com o pagamento de juros e encargos das dívidas (interna e externa) e flutuante, o que equivale a 2,72% do orçamento.
Os empréstimos feitos junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Banco Mundial (BIRD) totalizaram apenas R$ 68 milhões de um total de R$ 1,7 bilhão conseguido junto a instituições financeiras nacionais e internacionais para investimentos. Só para os projetos Qualidade de Ensino foram capitalizados R$ 10 milhões; Paraná Urbano, R$ 25,5 milhões; e Prosan, R$ 19,5 milhões.
As transferências da União, resultantes de convênios, acordos ou títulos perdidos, foram estimadas pela contabilidade da Receita do Estado em R$ 1,2 bilhão, o que representou um acréscimo de 136,26% em relação a 1995, na avaliação oficial. O Legislativo autorizou ainda o governo a movimentar R$ 731,2 milhões em operações de crédito.
As receitas próprias, arrecadadas com o recolhimento de impostos, representaram 63,3% da receita total prevista. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), aproximou-se de R$ 1,5 bilhão.
Pressão O controle das contas do governo deverá ser bem rigoroso neste ano, alertou ontem o presidente da Assembléia, Aníbal Khury (PTB). O Tribunal de Contas nos dará um indicativo com o parecer, mas quem decide mesmo se a contabilidade está regular ou não são os deputados, garantiu.
Khury amarrou a análise das contas à crise política desencadeada entre os aliados, em função da indefinição partidária do governador Jaime Lerner (PDT). A Assembléia vai olhar com rigor as contas, ainda mais que o relacionamento entre os poderes está azedo, alegou o deputado, emendando que a não aprovação das contas pode impedir o governador de ser candidato à reeleição.


