Brasília - A União tem 630 mil imóveis, incluídos aí até as reservas indígenas, que pela Constituição podem pertencer a ela, mas são dadas para usufruto dos índios, e a orla marítima. Os imóveis que podem ser usados pela administração direta - como os prédios da Esplanada dos Ministérios - são 29 mil. Abrigam as milhares de repartições espalhadas por todos os Estados.
Mesmo assim, a carência de espaço é grande e o Ministério do Planejamento é obrigado a alugar imóveis. Gasta, com isso, R$ 380 milhões anuais. ''Hoje há carência total de espaço para a administração pública'', disse Jorge Arzebe, secretário-adjunto do Patrimônio da União, uma das secretarias do Ministério do Planejamento. ''Como a disputa é muito grande, temos tentado fazer com que os espaços sejam racionalizados. Chegamos até a criar uma câmara temática de qualidade de gestão, para tratar do assunto com todos os servidores que têm cargos administrativos.''
Para Arzebe, a dispersão de órgãos jamais será resolvida em curto prazo, nem em Brasília nem em qualquer outro lugar do Brasil. ''Por isso, todos são chamados à razão, para não dizer mais, 'este é meu prédio'', ressalta.
Ele contou que às vezes a briga é tão grande que tem de ser resolvida num local próprio, que funciona na Advocacia-Geral da União. ''Lá, as partes que reivindicam o local apresentam seus argumentos e um colegiado decide quem é que tem razão.'' Os maiores problemas surgem, principalmente, quando um órgão é extinto. Logo tem alguém pronto para ocupar o lugar daquele que acabou. ''Não há dúvida de que a dificuldade de diálogo é geral'', admitiu o secretário.
Agora mesmo, com a extinção da Rede Ferroviária Federal, a União acabou de receber 50 mil imóveis. Por enquanto, equipes fazem o levantamento do patrimônio, que vai desde as grandes áreas desapropriadas, ao longo das ferrovias, até as casinhas onde morava um guarda, nos mais longínquos locais.

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