Governo garante venda e perde força eleitoral
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sábado, 25 de agosto de 2001
Maria Duarte<BR>De Curitiba 
Ao derrubar o projeto popular que barrava a venda da Copel, na última segunda-feira, o governo do Estado conseguiu manter em curso seu principal projeto: a privatização da Copel, que pretende concretizar em 31 de outubro. Já a oposição deve sair ganhando nas urnas. Por outro lado, o grupo do governador Jaime Lerner (PFL) acumulará o desgaste da empreitada, e poderá medir seu efeito nas eleições do próximo ano.
O projeto popular teve votação apertada e transferiu boa parte do desgaste e do ônus político da privatização para a Assembléia Legislativa. Graças à maioria governista, os deputados estaduais mantiveram a autorização para a venda, apesar dos protestos dos movimentos populares contrários à privatização.
Mesmo tendo perdido a queda-de-braço com o governo, o bloco de oposição sai fortalecido do processo. As fileiras da oposição também receberam o reforço de aliados desertores que temiam votar contra os interesses de seus eleitores, reduzindo as chances de reeleição no próximo ano.
Tradicionalmente formada por 14 deputados (dois do PDT, um do PSDB, sete do PMDB e quatro do PT), hoje a bancada pode contar em alguns casos com o reforço do bloco dito independente, formado no início de agosto. A nova ala é composta por dois deputados do PPS, um do PTB, um do PPB, dois do PL e dois do PSDB. Outro tucano, antes da base de sustentação, também tem se colocado sistematicamente contra o governo: Neivo Beraldin.
Os oposicionistas sabem que elevaram a bancada de 14 para 26 no caso Copel porque o projeto popular teve grande apelo eleitoral. ''O reforço (com o bloco independente) é a nossa expectativa. Com eles, temos condições de dar uma balançada no governo'', avaliou José Maria Ferreira (PSDB). O líder do bloco independente, Augustinho Zucchi (PSDB), afirma que os parlamentares vão se posicionar nas votações de acordo com cada matéria.
A base de sustentação de Lerner perdeu 13 aliados na votação da Copel. Para outras matérias, a base também continua menor. O grupo do governador elegeu 41 deputados em 1998. Hoje, em tese, conta com o apoio incondicional de apenas 27. Nos bastidores do Legislativo, os aliados que restaram avaliam que falta habilidade política por parte do governo. ''Com tantas baixas, fica claro que alguma coisa está faltando'', resumiu um deles. Os aliados reclamam da situação financeira do Estado, que não tem repassado recursos para obras em municípios. Reclamam ainda que o Palácio Iguaçu não lhes dá ''a devida atenção''. O líder do governo na Assembléia, Durval Amaral (PFL), está confiante que conseguirá manter a maioria em plenário.
O governador disse, na última quinta-feira, que a decisão do Legislativo não produziu derrotados nem vencedores. ''Até quem pensa que perdeu sairá vencedor'', afirmou Lerner.


