Curitiba - Uma reunião realizada ontem à tarde entre governo do Paraná e Ministério Público (MP) do Estado pode ter colocado um fim à ameaça de enfraquecimento do Gaeco, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, que é integrado por promotores e procuradores de Justiça e por policiais militares e civis. O procurador-geral de Justiça, Olympio de Sá Sotto Maior Neto, chefe máximo do MP, saiu da reunião que teve com o governador do Estado Beto Richa (PSDB) e com o secretário de Segurança Pública, Reinaldo de Almeida César, informando que não haverá a retirada dos policiais que atuam no Gaeco, em torno de 60 em todo o Estado.
Um decreto assinado logo no começo do ano pelo governador do Estado Beto Richa determinava, entre outras coisas, a volta de todos os servidores que estavam em atividades diferentes em relação às suas lotações de origem, caso de todos os policiais emprestados para o Gaeco. A parceria entre policiais e membros do MP já promoveu, por exemplo, a Operação Ectoplasma, que levou três ex-diretores da Assembleia Legislativa para a prisão, e rendeu dois processos criminais sobre esquemas de desvio de salários de comissionados fantasmas e laranjas na Casa.
O decreto do Executivo gerou polêmica porque Beto Richa e o comandante-geral da PM, coronel Marcos Teodoro Scheremeta, enfatizaram a necessidade de aumentar o efetivo de policiais militares nas ruas, daí a suposta retirada dos servidores do Gaeco, que tem unidades em Curitiba, Guaíra, Londrina, Foz do Iguaçu, Cascavel, Guarapuava e Maringá. ''O que restou combinado foi justamente o contrário, no sentido de se preservar e aprimorar as condições de funcionamento do grupo especializado'', disse o procurador-geral de Justiça, logo depois que saiu da reunião.
Ainda segundo Sotto Maior Neto, Beto Richa se comprometeu a institucionalizar o Gaeco, para torná-lo independente. A assessoria de imprensa do MP informou que o Gaeco foi constituído através de um ato da Procuradoria-Geral de Justiça e que a ideia agora do Executivo seria assinar um decreto institucionalizando o órgão, o que daria estabilidade ao trabalho.
Em 2006, na gestão de Roberto Requião (PMDB), razões políticas teriam levado ao desmantelamento da então Promotoria de Investigações Criminais (PIC), atual Gaeco. O fato ocorreu no mesmo ano em que a PIC abriu uma investigação sobre um esquema ilegal de interceptações telefônicas supostamente comandado por Délcio Rasera, policial civil cedido ao Palácio Iguaçu. Naquele ano, a PIC recebeu um ofício da Polícia Militar no qual era solicitada a apresentação junto à PM dos sete militares que atuavam no órgão na Capital. Os militares saíram da PIC, mas a PM mais tarde voltar a integrar o órgão, com outros nomes.

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