Governo garante PCCS a servidores da Emater
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quinta-feira, 11 de agosto de 2005
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Representantes do governo estadual e da Empresa de Assistência e Extensão Rural (Emater) reuniram-se ontem para discutir o projeto de lei em trâmite na Assembléia Legislativa que pretende transformar a empresa pública em autarquia. Embora os funcionários da empresa sejam contra a autarquização, o governador Roberto Requião já anunciou que não irá retirar a mensagem.
O avanço mais significativo na discussão entre as duas partes foi o compromisso do governo em enviar um Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCS) para os servidores da Emater em até 90 dias após a autarquização do órgão. O governo tinha estipulado um prazo de 120 dias para enviar o PCCS, mas os servidores temiam que a mensagem não fosse votada antes do recesso parlamentar em dezembro.
De acordo com a deputada Elza Correia (PMDB), a reunião serviu para mostrar aos servidores que não haverá prejuízo com a autarquização. ''A mensagem garante que não haverá demissões, e inclusive mil técnicos novos serão contratados. A diferença é que os servidores passarão a receber os mesmos indíces de reajuste salarial dos demais servidores públicos, em vez de negociarem seus índices através de dissídios coletivos. Assim iremos acabar com essa diferença de tratamento entre as categorias'', afirmou Elza.
Os servidores temem que os salários pagos pelo governo fiquem aquém dos praticados na iniciativa privada, o que causaria um êxodo de profissionais capacitados na Emater. Elza discorda da posição dos servidores. ''Durante todo esse mandato o governador sempre tomou decisões que foram favoráveis aos setores do funcionalismo. Esse temor é infundado. Tenho convicção que o novo PCCS irá agradar aos funcionários da Emater, e que novos investimentos serão feitos na autarquia para melhorar ainda mais seu desempenho'', comentou Elza.
Já o deputado Augustinho Zucchi (PDT), que é contra o projeto, acredita que a autarquização está sendo conduzida de maneira precipitada. ''Hoje eu vi que deputados de todas as siglas tinham dúvidas sobre a autarquização. Eu acredito que o projeto não traz benefícios para o Estado. Antes de discutirmos o regime, deveríamos pensar no que a Emater desenvolve para a agricultura e que tipo de empresa queremos. Se for para autarquizar e continuar com os problemas típicos do funcionalismo público não adianta. Estou cansado de ver lugares em que quando tem carro para o deslocamento do servidor não tem gasolina, quando tem gasolina não tem dinheiro para a diária... É sempre a mesma novela, infelizmente'', afirmou Zucchi.
O projeto deve ser o mais polêmico dos últimos meses na Assembléia. Tanto o líder da oposição Dobrandino da Silva como o da oposição Valdir Rossoni (PSDB) já fazem a contabilidade de quantos votos terão caso a mensagem seja mesmo votada na quarta-feira. Zucchi acredita que a votação não deveria ser transformada em um cabo-de-guerra entre governo e oposição. ''Eu geralmente voto com o governo, mas acredito que a importância desse projeto deve fazer com que os deputados se envolvam mais antes de tomar uma decisão'', ressaltou Zucchi.


