Brasília - Repetindo o que fez na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) dos Correios, o governo conseguiu ontem assegurar controle absoluto na mais nova instância de investigação de corrupção, a CPI Mista do Mensalão. A comissão foi instalada tendo o senador Amir Lando (PMDB-RO) na presidência e o deputado federal Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG) na relatoria. O deputado petista Paulo Pimenta (RS) ficou com a vice-presidência. Em tese, a CPI investigará também outras acusações de compra de votos de deputados, como a da emenda da reeleição, em 1997. Por isso, é chamada de CPI da Compra de Votos pelos governistas. Na prática, no entanto, deve focar no mensalão.
Lando, um dos mais fiéis peemedebistas ao Planalto, ocupou o Ministério da Previdência até o início do ano. Teve o nome bancado pelo líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP). Ele foi o relator da CPI que encaminhou o impeachment do ex-presidente Fernando Collor e ontem procurou fazer uma ligação simbólica entre as duas investigações ao repetir a frase que encerrou seu relatório, em 1992: ''A verdade nos libertará''.
Abi-Ackel, também indicado pelo governo, acabou escolhido por sua formação jurídica. Ministro da Justiça no governo de João Batista Figueiredo, entre 1980 e 1985, pertence ao PP, partido que tem deputados acusados de recebimento do mensalão. Mas sua indicação foi justificada com base no fato de não ter havido até agora nenhuma acusação contra ele. ''É um deputado acima de qualquer suspeita'', afirmou Mercadante.
Não houve acordo entre governo e oposição para a escolha dos postos-chave. A oposição lançou o nome do deputado Raul Jungmann (PPS-PE) para presidir a CPI e aceitava dar a relatoria ao governo. Os governistas não aceitaram, e a disputa foi a voto. Lando venceu por 22 a 14.
O presidente disse que a nova CPI não tomará nenhum depoimento nas suas primeiras duas semanas de trabalho. ''Essa CPI não parte do zero. Existe um patamar já de informações, depoimentos e documentos. Vamos investigar a partir do que já existe'', declarou.
A CPI do Mensalão vai solicitar hoje à dos Correios todas as informações já levantadas para, a partir de então, definir sua agenda de trabalho. Segundo Lando, pode haver a reconvocação de testemunhas importantes, como o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). ''Nosso enfoque é diferente.''

mockup