Governo ganha primeira batalha da Previdência
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quinta-feira, 05 de junho de 2003
Eugênia Lopes e Vânia Cristino<BR>Agência Estado 
Brasília- Com a ajuda dos partidos de oposição, o governo obteve ontem a primeira vitória na reforma da Previdência. Numa sessão tumultuada, a emenda constitucional apresentada pelo Palácio do Planalto foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, sem alterações e por um placar folgado: 44 votos a 13.
A sessão da CCJ durou mais de cinco horas e foi agitada por certa de 200 manifestantes que lotaram o plenário da comissão, aplaudiram longamente os deputados que votaram contra o governo e vaiaram os que deram voto a favor. O clímax da confusão ocorreu nos instantes finais da votação.
O deputado Alceu Collares (PDT-RS), que discursara o tempo inteiro contra a reforma, acusou o presidente da CCJ, Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), de trair a Nação ao defender a reforma.
- Assuma a sua traição! - berrou Collares.
- Eu lutei por este País como Vossa Excelência! Peço respeito! - esbravejou Greenhalgh.
Momentos depois do bate-boca com o presidente da CCJ, o deputado do PDT do Rio Grande do Sul, por pouco, não trocou sopapos com o deputado Paulo Rocha (PT-PA). Sentado atrás de Collares, Rocha chamou-o, várias vezes, de ''provocador''. Collares reagiu, levantando-se abruptamente e, diante de um plenário perplexo, afirmou: ''Vem aqui na minha frente que eu te planto a mão!''
Imediatamente, entrou em campo a turma do ''deixa disso''. Mas, quando tudo parecia começar a ficar sob controle, a presidente da Associação dos Oficiais de Justiça de São Paulo, Ivone Barreiros Moreira, começou a gritar no plenário contra a reforma. ''O PT está dando um golpe no País. O que se convalida hoje é rasgar a Constituição'', berrava sem parar a manifestante.
Todos os partidos aliados, à exceção do PDT, votaram fechados com o Planalto. Mas, para garantir a unidade, os líderes das legendas governistas não mediram esforços. Os deputados da base aliada contrários à reforma foram substituídos, ou então, estavam ontem providencialmente ausentes da sessão. Foi o caso do deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ), que é contra a taxação dos inativos, e dos deputados Alexandre Cardoso (PSB-RJ) e Pastor Amarildo (PSB-TO). Primeiro suplente do PT na CCJ, o futuro relator da reforma na comissão especial, José Pimentel (PT-CE), deveria votar no lugar de Biscaia. Mas, apesar de ter perambulado pela CCJ durante a sessão, sempre desaparecia no momento da votação.
Apesar da vitória, a votação de ontem deixou claro que o governo terá dificuldades na aprovação de pontos polêmicos da Previdência na comissão especial e no plenário da Câmara. O líder do PC do B, Inácio Arruda (CE), que substitui o deputado Sérgio Miranda (PC do B-MG) na CCJ, leu um voto em separado alertando que os comunistas têm ''uma postura crítica'' em relação à reforma.


