Governo foi além do possível, diz ministro
PUBLICAÇÃO
domingo, 05 de dezembro de 2004
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
O ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, que participou ontem da abertura do 4º Encontro Nacional de Fé e Política, em Londrina, avalia que o governo federal ''foi além do possível'' na implantação da política social no país, nos dois primeiros anos de governo.
''Eu acredito que quando trabalhamos de uma forma solidária e fazemos o possível, Deus coloca a sua participação e a gente vai um pouco além. Estou convencido que estamos realizando no governo do presidente Lula, na área social, especialmente no nosso ministério, que tem pouco mais de 10 meses, e neste período cumprimos todas as metas estabelecidas pelo presidente e pelo governo. Penso que cumprimos o nosso dever e fomos um pouquinho à frente'', avaliou o ministro. ''No governo do presidente Lula, implantamos o Bolsa Família, que é o maior programa de renda familiar da história do Brasil. Estamos chegando agora a 6 milhões de famílias, mais de 30 milhões de pessoas pagando um benefício médio três vezes maior do que os benefícios pagos no governo anterior. Além disso, continuamos em uma linha de compromisso e respeito aos pobres, pagando também os benefícios anteriores, o Bolsa Escola, o Bolsa Alimentação, o Cartão-Alimentação, o Vale-Gás'', elencou.
Segundo Ananias, o programa Fome Zero terá prioridade no orçamento federal em 2005. ''Quando nós, os ministros do governo Lula, discutimos o orçamento de 2005, duas prioridades foram apresentadas e teriam os recursos disponibilizados em função das metas estabelecidas: o Fome Zero, e dentro dele o Bolsa Família'', explicou. Metas estabelecidas pelo próprio presidente incluem 6,5 milhões de famílias até o final de 2004, 8,7 milhões de famílias até o final de 2005, e todas as famílias abaixo da linha da pobreza até 2006. ''Outro programa prioritário com recursos disponíveis foi o de reforma agrária.''
O ministro ainda conclamou a sociedade, a imprensa, os vereadores e prefeitos de todos os municípios a formarem ''uma grande rede de proteção'' dos programas sociais ao falar sobre as irregularidades detectadas na concessão do Bolsa Família. ''É claro que um programa dessa magnitude apresenta algumas distorções localizadas. Pela primeira vez na história, estamos implementando políticas sociais nacionais. Firmamos um convênio com os promotores de Justiça para que eles possam tomar medidas legais contra pessoas que estejam usando o programa indevidamente'', afirmou. ''Fizemos também uma portaria para que os conselhos estaduais e municipais de assistência social e os comitês gestores do Fome Zero fiscalizem o programa enquanto nós vamos implantando os comitês locais de controle social do Bolsa Família. E estamos pedindo à sociedade, aos meios de comunicação, às câmaras de vereadores, às prefeituras, para que nos ajudem a criarmos uma grande rede de proteção social em torno dos nosso programas, do dinheiro público, do Bolsa Família. De uma coisa não abrimos mão, vamos continuar cuidando cada vez mais e melhor das famílias pobres do Brasil.''
O ministro não quis falar sobre a possibilidade dele deixar a pasta devido a reforma ministerial que está sendo feita pelo presidente Lula. ''Esse assunto escapa às minhas reflexões.'' Ananias também não deixou claro se a ex-vereadora de Londrina, Márcia Lopes (PT), continuará como secretária executiva do ministério. Atualmente ela ocupa o cargo interinamente. ''Com a saída da ex-secretária, a convidei para exercer interinamente, mas com plenos poderes, até que a gente possa amadurecer outras opções para a Secretaria Executiva. Isso está sendo feito com muita serenidade, sem pressa, e seja como for, a secretária Márcia é sempre uma titular do nosso time'', se esquivou.


