Governo fica com comando de CPI
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 26 de maio de 2009
Eugênia Lopes<br>Agência Estado 
Brasília - Em represália à decisão do governo de ficar com os dois postos de comando da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar supostas irregularidades na Petrobras e na Agência Nacional de Petróleo (ANP), o DEM e o PSDB resolveram ontem entrar em obstrução para tentar impedir a votação de propostas de interesse do Palácio do Planalto. A ideia dos oposicionistas é não deixar votar medidas provisórias como a que cria o Fundo Soberano e a que autoriza a União a emprestar R$ 100 bilhões ao Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Ambas MP's perdem a validade na semana que vem, no dia 1º de junho.
''Se eles (governistas) têm número para eleger o presidente e designar o relator da CPI da Petrobras, nós vamos fazer valer o nosso ponto de vista e vamos entrar em obstrução'', afirmou o líder do DEM, senador José Agripino Maia (RN). ''O entendimento era para que ficássemos com a presidência. Suspenderam o entendimento que estava viabilizado'', disse Agripino, momentos após ser comunicado pelo líder do PMDB, senador Renan Calheiros (AL), em um encontro tenso, que a oposição não ficaria com a presidência do inquérito. Mais tarde, depois de desistir de fazer um discurso no plenário do Senado, Calheiros confirmou que a oposição não ficaria com nenhum dos cargos de comando da CPI. ''Criar uma CPI é direito constitucional da minoria, mas quem vai ser o presidente é um processo da maioria'', disse o líder do PMDB.
A decisão de atropelar a oposição e deixar nas mãos de governistas a presidência e a relatoria do inquérito foi tomada ontem depois de encontro do líder Renan Calheiros com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O peemedebista era favorável a um acordo com os oposicionistas. Argumentou que o governo não deveria ''mexer com os brios da oposição'', uma vez que ela poderia entrar em obstrução e impedir a votação de projetos considerados essenciais pelo governo. No início da noite, mesmo depois de defender que a presidência da CPI ficasse nas mãos de um governista, Renan Calheiros repetiu: ''o melhor é conseguir um acordo''.


