Governo federal projeta mudança em programas
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sábado, 06 de março de 1999
Sílvia Faria Agência Estado 
Fazer melhor com menos recursos. Este é o lema que promoverá, a partir do próximo ano, uma profunda reestruturação na maneira de administrar os programas do governo federal. O programa Comunidade Solidária, por exemplo, passará por total reformulação, buscando uma parceria direta com as comunidades que atende, e exigindo delas resultados e uma crescente independência do governo, nunca antes alcançada. A nova secretária de Gestão, Ceres Prates, uma especialista em administração pública, assume o compromisso e avisa que é preciso racionalizar os recursos disponíveis, porque a capacidade de cortar despesas do governo está esgotada.
Todos os programas serão submetidos a um monitoramento, com cumprimento de metas de desempenho. As superposições serão eliminadas e áreas que não são típicas de governo serão extintas, explica a secretária. Ela cita o exemplo do serviço de metereologia, oferecido por cinco diferentes órgãos da administração federal, que tem equipamentos, equipes, cargos em comissão etc. Outro exemplo é a área de assistência social, que sobrevive nos escombros da administração central, apesar da atividade já ter sido transferida para os Estados. O serviço de assistência social vem sendo descentralizado há quatro anos, depois da extinção da LBA, e o governo federal continua arbitrando muito, diz.
Ceres informou que o Comunidade Solidária passará por profunda reestruturação. O objetivo é dotar as prefeituras de condições para que ganhem autonomia para futuramente gerir os recursos repassados pelo governo. Os recursos aplicados pelo programa não alavancaram o desenvolvimento local pretendido e criou maior dependência do governo. Vamos reduzir a agenda de atendimento aos municípios e fazer com que efetivamente os recursos gerem o desenvolvimento pretendido, avisa Ceres.
O novo secretário-executivo do Comunidade, Milton Selligman, dará ênfase a essa orientação, realizando contratos de parceria com indicadores de desempenho que as prefeituras terão de cumprir. Para isso, o governo oferecerá treinamento de agentes dos municípios e recursos. Vamos mapear as populações excluídas e capacitar as comunidades mais pobres para que se organizem em torno de algum tipo de atividade produtiva. Queremos torná-las independentes, como há vários exemplos bem sucedidos no País, explica a secretária.


