Governo federal e PT fazem desafio a governadores
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quarta-feira, 23 de abril de 2003
Agência Estado 
Brasília- Enquanto desencadeiam uma ofensiva entre os aliados para arrebanhar apoio à proposta de reforma previdenciária, o governo federal e o PT desafiam os governadores a assumir o ônus da caça aos votos no Congresso. Diante das resistências em todos os partidos da base governista em aprovar a contribuição dos inativos do setor público, o presidente nacional do PT, José Genoino, garantiu ontem que o governo e o partido vão 'bancar'' a proposta pactuada com os Estados. ''Mas a taxação dos inativos entrou no texto a pedido dos governadores e eles terão de mostrar a cara'', cobrou.
''O Lula (presidente Luiz Inácio Lula da Silva) também está nisso porque a reforma é de todos'', devolve o governador de Alagoas, Ronaldo Lessa (PSB), ao confirmar sua presença em Brasília, ao lado do presidente, no ato de entrega das reformas ao Congresso, dia 30. ''Os aliados do governo precisam afinar o discurso para não haver mal-estar no dia 30'', adverte o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB).
A posição do PSDB, que reuniu a bancada na Câmara ontem à tarde para debater as reformas, é de que antes de cobrar apoios o governo precisa organizar o próprio time e mostrar sua força. Por isto mesmo, o partido só se manifestará depois do dia 30.
O governador capixaba Paulo Hartung (PSB) garante que ninguém fugirá da raia na luta para aprovar as reformas. ''Os governadores vão ajudar e mostrar a cara, assim como deverão fazê-lo também os prefeitos de grandes cidades''. Hartung e Lessa já iniciaram as articulações não só dentro do PSB como entre os representantes de seus Estados, independentemente das siglas partidárias.
''Estou conversando com a bancada inteira e com todos os amigos que fiz, e não foram poucos, durante os dois mandatos parlamentares que passei em Brasília'', diz Hartung. Ele tem argumentado que o apoio à reforma da Previdência pode custar uma ''impopularidade de curto prazo'', mas que valerá a pena. ''Desatar este nó é promover o equilíbrio fiscal que permitirá o desenvolvimento e a popularidade sustentáveis'', defende. Lessa também tem se movimentado.


