Governo fecha ano de crises
TURBULÊNCIA
Governo fecha ano de crises
Arquivo FolhaLerner: avalanche no primeiro diaO governador Jaime Lerner (PFL) enfrentou uma avalanche de crises políticas no ano de 1999. A primeira delas teve início já no dia da posse, quando Lerner e a vice-governadora Emília Belinati (PTB) entraram em rota de colisão, por conta do secretariado. Fomentada pelo marido, o prefeito de Londrina Antonio Belinati (PFL), Emília discordou por ter sido excluída do processo de escolha. Até hoje o relacionamento entre os dois está abalado. Lerner e Emília só conversam com mais intensidade, quando o governador está para ausentar-se do País e a vice na iminência de assumir o governo interinamente.
A instalação do novo sistema previdenciário dos servidores; a acomodação do ex-ministro Reinhold Stephanes na presidência do Banestado; os seis meses de acampamento do MST em frente ao Palácio Iguaçu; a compra nebulosa de jaquetas coreanas pelo ex-coronel Luiz Fernando de Lara; a queda-de-braço entre as Polícias Militar e Civil; a antecipação dos royalties de Itaipu para tirar as finanças do vermelho; o plano de demissão voluntária proposto pela secretária da Administração Maria Elisa Paciornik; a lei que taxa o uso da água no Estado; e a cobrança antecipada do IPVA são alguns exemplos das dores de cabeça enfrentadas por Lerner, no balanço deste ano.
A morte de Aníbal Khury (PFL), em 31 de agosto passado, oxigenou a política paranaense, mas para o governador, tornou-se um agravante, pelo menos num primeiro momento. Desde então, o Palácio Iguaçu tem de negociar com várias frentes de parlamentares para manter-se hegemônico no Poder Legislativo. Antes, Khury dominava tudo e todos. A ausência de Khury acentuou algumas dissidências dentro da própria base de sustentação política de Lerner. Dentre as quais, o Grupo dos 21, aliados de Lerner que se rebeleram contra o governo por conta da crise de caixa que atingiu prefeitos apadrinhados, suspendendo convênios.
O endividamento do Paraná, hoje estimado em R$ 10,7 bilhões, incluída a última parcela do socorro do Banco Central ao Banestado, expôs o governo durante semanas. Na Assembléia, cogitou-se até na criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), para analisar a evolução dos números. O secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, teve de ir a plenário dar explicações. Os ex-governadores José Richa (sem partido), Alvaro Dias (PSDB) e Roberto Requião (PMDB) responsabilizaram o governo atual pela ruína das finanças.
Ainda sob o ponto de vista político, 1999 não foi, no entanto, só de eventos malsucedidos. Lerner mostrou habilidade em alguns episódios e conseguiu contornar crises, como o despejo-surpresa, em novembro, dos sem-terra. Na surdina, o governador conseguiu acabar com uma imagem que já estava comprometendo o seu governo, principalmente junto aos curitibanos, seu reduto eleitoral.
A vitória de Nelson Justus (PTB), na briga pela sucessão de Aníbal Khury, e a manutenção do adversário de Justus, Valdir Rossoni (PTB), na liderança do governo, também foram motivo de comemoração no Palácio Iguaçu. Lerner entrou de cabeça nas articulações que tornaram a sua chapa a vencedora. Na Assembléia, ele conseguiu aprovar com folga o polêmico IPVA antecipado e a autorização para desfazer-se dos royalties de Itaipu. (L.D.)





