O debate sobre a votação da Medida Provisória (MP) que fixa o novo mínimo em R$ 151,00 se estenderia até o início da madrugada de hoje, segundo avaliação de parlamentares consultados pela Folha. Oposição e situação se revezavam em discursos inflamados, mas a previsão era de que o governo conseguiria aprovar a MP. Até meia-noite, a votação ainda não havia começado.
Os partidos aliados ao presidente Fernando Henrique Cardoso decidiram obrigar os parlamentares a votarem a favor da Medida Provisória. Antes da sessão, deputados de oposição admitiam que o governo seria vitorioso. Mesmo com a pressão do governo, os aliados reconheciam que haveria dissidências pontuais na votação.
O governo prometeu liberar recursos orçamentários para obras sugeridas pelos parlamentares e para convênios e ameaçou demitir afilhados políticos dos dissidentes para garantir a aprovação.
A mobilização governista começou às 8h30, com um café-da-manhã no Palácio da Alvorada que reuniu FHC, ministros políticos e líderes dos partidos aliados. O PMDB não compareceu.
FHC demonstrou preocupação aos presentes diante da possibilidade de ser grande o número de dissidentes da base governista na votação. Ele reafirmou que só haveria dois caminhos para os integrantes de partidos aliados: ou ficam no governo e votam com ele ou deixam de ser governo. Para o presidente, os dissidentes deveriam até sair dos partidos governistas e procurar os de oposição.
Em tom de desabafo, FHC disse que estava cansado de todas as vezes ficar brigando para manter a base aliada unida em torno de projetos de interesse do Executivo. Segundo ele, era preciso dar um basta na dissidência.
À tarde, os líderes completaram a ofensiva no Congresso retirando infiéis de comissões técnicas importantes e ameaçando com punições partidárias que vão de advertência a expulsão.

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