Arquivo FolhaO presidente Fernando Henrique deverá levar à população, em cadeia nacional, uma mensagem de otimismoO presidente Fernando Henrique Cardoso faz hoje um balanço dos primeiros quatro meses do seu segundo mandato. Gravado na manhã do último sábado no Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente e sua família, o pronunciamento à Nação será divulgado por cadeia nacional de rádio e televisão.
Aliviado com a distensão das turbulências econômicas provocadas pela desvalorização do real - com a recuperação da moeda nacional frente ao dólar e a recomposição da credibilidade do Brasil no mercado externo - e de malas prontas para mais uma rodada de viagens internacionais, Fernando Henrique levará à população um recado otimista, frisando que continua urgente a conclusão do programa de ajuste fiscal.
‘‘O presidente dirá que com unidade e integração entre o governo e o povo, consegue-se resultados positivos’’, disse o ministro das Comunicações e articulador político do governo, Pimenta da Veiga. ‘‘Ele vai reforçar a tese de desenvolvimento com estabilidade econômica’’, acrescentou o ministro, que preferiu não adiantar os pontos que serão abordados pelo presidente durante o pronunciamento.
Fernando Henrique deverá comemorar, junto com a população, a superação da fase mais aguda da crise - em que o dólar flutuou e subiu às alturas - e a reversão do ímpeto inflacionário. O presidente também fará um relato das ações mais importantes desses primeiros 100 dias de governo e pedirá empenho na continuidade do programa de estabilidade fiscal.
Fernando Henrique deverá agradecer ao Congresso Nacional pela aprovação das medidas de ajuste com a urgência ditada pela crise e frisará para a população a necessidade de empenho contínuo para colocá-las em execução. Em seu pronunciamento, o presidente deverá manter o tom de suas intervenções dos últimos dias, misturando pitadas de otimismo - do tipo o pior já passou - com cobranças de responsabilidade pelo avanço do País rumo à estabilidade.
É certo, porém, que Fernando Henrique evitará tocar em temas polêmicos, como as comissões parlamentares de inquérito (CPIs) - a do Judiciário e a do Sistema Financeiro - que estarão funcionando no Congresso a partir desta semana. A avaliação do governo, comentou Pimenta da Veiga, é que, embora tivesse sido melhor não se ter instalado CPIs no Congresso, o governo não pode parar por causa dessas investigações.
‘‘O governo tem amplas explicações para as questões que venham a ser colocadas pela CPI’’, afirmou o ministro, referindo-se às investigações do sistema financeiro, cuja CPI será instalada na quarta-feira. O ministro das Comunicações vai acompanhar o presidente no seu roteiro de viagens internacionais, que começa pela Alemanha, onde estará a partir de quarta-feira. O ministro vai assinar acordos na área de telecomunicações em Portugal.

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