BRASÍLIA - O ministro das Comunicações, Sérgio Motta (foto), está de posse de uma lista de deputados que aponta 320 votos a favor da reeleição-já. A ordem agora é trabalhar duro para aumentar a margem de segurança - são necessários pelo menos 308 votos para se aprovar uma emenda. O presidente Fernando Henrique Cardoso tem uma lista de parlamentares que podem virar o voto e está chamando um a um ao Palácio do Planalto.
‘‘Nunca recebi tantos telefonemas e fui tão cortejado’’, comentou o deputado Francisco Horta (PL-MG). ‘‘Desse jeito vou ter que adoecer’’, brincou ontem o deputado José Luiz Clerot (PMDB-PB), tonto com tantas pressões pró e contra a votação da emenda da reeleição no dia 29. ‘‘Essa gente bem que podia me deixar quieto’’, pediu o deputado José Aldemir (PMDB-PB), convocado ontem ao Planalto. Senador rebelde da Paraíba, Ronaldo Cunha Lima (PMDB-PB) insiste na votação em bloco da bancada estadual, mas três dos sete paraibanos ameaçam sucumbir.
O governo tem em mira especialmente as bancadas da Paraíba, Pará, Maranhão e Goiás, comandadas pelos senadores rebeldes do PMDB. Mas também investe firme para ganhar votos em outras bancadas, como o Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Espírito Santo.

‘‘Nunca recebi
tantos telefonemas
e fui tão
cortejado’’


Na bancada pefelista do Rio, três deputados eram apontados como problemas: Laura Carneiro, doente, Aldir Cabral e Lima Neto. Para solucionar a questão, Cabral e Lima Neto acabaram incluídos na restrita lista de convidados para um jantar na casa do vice-presidente da República, Marco Maciel. O encontro fora programado como uma homenagem dos caciques do PFL ao prefeito-estrela do partido, Luiz Paulo Conde, mas o Palácio do Jaburu virou atrativo para a conquista de mais dois votos pela reeleição.
O governo já sabe como reverter quatro votos do Espírito Santo. A bancada de dez deputados aceita votar em bloco pela reeleição em troca da inclusão do Estado na Medida Provisória que dá incentivos para a instalação de montadoras de automóveis no Nordeste.
Para conquistar o voto de Betinho Rosado (PFL-RN), o líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE), acertou um ‘‘agrado’’ para o município de Moçoró, base eleitoral do deputado. O governo vai pagar royalties ao município pela extração de petróleo. ‘‘O pagamento é justo porque a Petrobrás transformou aquela terra numa tábua de pirulito’’, justificou Rosado.

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