Governo fará concessões para evitar nova derrota
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quinta-feira, 12 de junho de 1997
Agência Estado Brasília 
O líder do governo na Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), está procurando um aliado para cuidar da contabilidade dos votos favoráveis e contrários à proposta da reforma administrativa, como fazia o deputado Eliseu Padilha (PMDB-RS), hoje ministro dos Transportes. Esse tipo de operação foi montada na Câmara em 28 de janeiro, quando foi aprovada a emenda da reeleição em primeiro turno. Na próxima semana, o governo pretende colocar em votação a quebra da estabilidade do servidor público.
Na terça-feira, quando o governo não conseguiu aprovar o subteto salarial, o governo não tinha controle sobre a participação dos deputados. A derrota não pôde ser prevista. Os líderes de Fernando Henrique Cardoso querem garantir a presença de pelo menos 480 deputados em Brasília no dia da votação da quebra da estabilidade.
O governo vai insistir também no discurso segundo o qual uma nação moderna só se faz com mecanismos que combatam privilégios e não favoreçam as corporações. O argumento do Palácio do Planalto é de que a estabilidade prejudica o País e beneficia as corporações, principalmente aquelas que hoje se constituem nas principais bases dos partidos de oposição - PT, PDT, PSB e PCdoB -, como os sindicatos de servidores públicos. Em outras palavras: manter a estabilidade é, para o governo, fortalecer os partidos de oposição.
A mobilização dos deputados na próxima semana será feita pelos líderes dos partidos que dão sustentação ao governo e pelo Planalto. De ação concreta, o Executivo vai oferecer duas medidas provisórias sobre a questão agrária - uma proibindo a avaliação de terras invadidas e outra fixando regras para facilitar a desapropriação para o assentamento de colonos.
Com isto, o Executivo espera acalmar a bancada ruralista, com raízes em todos os partidos, mas principalmente no PPB e no PTB, e que pode ser fundamental para a aprovação da reforma administrativa. Aos parlamentares que temem perseguições políticas a afilhados, caso seja permitida a quebra da estabilidade, os líderes dos partidos governistas vão fazer três concessões.


