Governo falha e CPI dos Correios é prorrogada
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sábado, 12 de novembro de 2005
João Domingose Cida Fontes<br>Agência Estado 
Brasília - Fracassou a operação comandada em pessoa pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para impedir a prorrogação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios. Uma reviravolta de última hora impôs ontem uma nova derrota ao governo e a CPI vai funcionar pelo menos até 11 de abril, entrando pelo ano eleitoral.
De seu gabinete no Planalto, Lula chefiou as negociações para que parlamentares retirassem suas assinaturas do requerimento de prorrogação da CPI em troca da liberação de verbas federais. À meia-noite de quinta-feira chegou a comemorar a vitória ao anunciar a desistência de 67 deputados que tinham assinado o requerimento, baixando o total de assinaturas de 237 para 170 - uma a menos do que o mínimo necessário, que é de 171.
Só que a oposição pediu a recontagem. Pouco depois das 11 horas de ontem, a Secretaria-Geral da Câmara concluiu que apenas 66 retiradas tinham sido válidas e considerou que o requerimento contava com o apoio de 171 deputados. O governo - que queria ver o fim da CPI em 11 de dezembro - lamentou. A oposição festejou. ''O rolo compressor do governo engripou'', disse o deputado Alberto Fraga (PFL-DF).
O Planalto prometeu mundos e fundos para que parlamentares retirassem a assinatura do requerimento de prorrogação da CPI. De acordo com informações dos próprios parlamentares, prometeu liberar R$ 1,2 bilhão para as emendas deles até o fim do ano. É com essas emendas, geralmente utilizadas para a construção de pequenas pontes, quadras de esportes, escolas e postos de saúde, que eles garantem os votos para a reeleição.
Desesperado com a notícia de que as oposições tinham conseguido as 171 assinaturas para prorrogar a CPI, o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), correu para o gabinete do presidente da Casa, Aldo Rebelo (PC do B-SP). Lá, conferiram assinatura por assinatura. Perceberam que a do deputado Francisco Dornelles (PP-RJ) fora considerada inválida porque os computadores e os técnicos da Câmara não a reconheceram como dele. ''O deputado Dornelles retirou a assinatura'', insistiu Chinaglia. Por telefone, Dornelles confirmou. Chinaglia prometeu então recorrer ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
O presidente do Senado, a quem cabe toda decisão quando a CPI é mista, caso da dos Correios, orientou o secretário-geral da Mesa, Raimundo Carreiro, a considerar válidas as 171 assinaturas. ''O que vale é o regimento. A CPI foi prorrogada'', anunciou Carreiro. O governo queria insistir na retirada de outras duas assinaturas, além da de Dornelles: dos deputados Carlos Willian (PMDB-MG) e Wladimir Costa (PMDB-PA). Mas pelo menos ontem não teve êxito.
Willian e Costa retiraram as suas assinaturas às 23h37. Mas às 23h59 os nomes deles foram entregues à Secretaria-Geral da Mesa do Senado, como apoiadores da prorrogação. Nesse caso, houve um cochilo muito forte do governo. Conseguiu convencer os dois a recuar, mas as oposições tinham se preparado para o ataque governista e fizeram uma reserva técnica com a participação dos dois. Como o que vale é a assinatura que é entregue por último, os nomes dos dois deputados ajudaram a prorrogar a CPI. ''A oposição usou uma estratégia mais inteligente que a do governo, de entregar minha assinatura por último. Mas, isso não está de acordo com a minha última vontade. Vou entrar com recursos para que prevaleça a minha assinatura de retirada'', disse Willian.


