Liége Albuquerque
Agência Estado
De Brasília
Pela segunda vez consecutiva o governo federal não conseguiu mobilizar sua base de sustentação para garantir o quórum mínimo de 51 deputados e contar o intervalo de cinco sessões para o segundo turno da Desvinculação dos Recursos da União (DRU) na Câmara, votada em primeiro turno na quarta-feira passada. Na sexta-feira, estiveram no Congresso na hora do início da sessão apenas 18 parlamentares. Ontem foram 32. ‘‘O próprio governo está fazendo obstrução para votação de matérias de seu interesse’’, ironizou o deputado Geraldo Magela (PT-DF), um dos três deputados da oposição que marcaram presença ontem na Câmara.
Nenhum líder dos partidos da base governista esteve ontem em Brasília, exceto o do governo, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP). De acordo com o corregedor-geral da Câmara, deputado Severino Cavalcanti (PPB-PE), apenas o líder do PPB, Odelmo Leão (MG), ligou para avisar que estava doente. ‘‘O governo está desmoralizando o Congresso com uma convocação onde sequer consegue quórum’’, atacou Cavalcanti. Madeira admite que houve falha na mobilização dos partidos da base. ‘‘A não-realização das sessões prejudica a imagem do Congresso’’, concordou o líder do governo na Câmara.
Para o presidente do Senado, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), a falta de mobilização foi um ‘‘cochilo’’ da base aliada. ‘‘A mídia está batendo e isso atrapalha a visibilidade do Congresso’’, afirmou. Para ACM, contudo, não há como ‘‘obrigar’’ os deputados a trabalhar. ‘‘Mas há uma providência que o presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), poderia tomar: cortar os jetons dos deputados’’, provocou. A assessoria da Mesa da Câmara informou que Temer já está descontando o proporcional dos salários dos deputados que estão faltando às sessões, mas que a contabilidade final será feita no fim da convocação extraordinária.
Segundo Madeira, o atraso era previsto. ‘‘A DRU poderá ser votada até o dia 26, e não será prejudicial’’. No dia em que foi aprovada em primeiro turno, na vitória de 343 votos favoráveis contra 137 contrários, os governistas afirmavam otimistas que o segundo turno seria nesta semana.
Na convocação extraordinária em janeiro do ano passado o governo investiu na mobilização da base. Havia equipes de plantão de 51 parlamentares de todos os cinco partidos da base governista para conseguir quórum nas sessões, apressando a votação da prorrogação da cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). O vice-líder do PFL, deputado Pauderney Avelino (AM), que era o relator da CPMF, admite a falha na mobilização dos partidos da base. (Colaboraram Sonia Cristina Silva e Nelson Breve).

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