Governo explica contratações
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quarta-feira, 24 de outubro de 2007
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Parte da reunião do secretariado estadual de ontem foi dedicada à explicações sobre a contratação de 54 mil servidores públicos pelo governo do Paraná. O número de novos servidores tem sido questionado pela mídia e por deputados estaduais de oposição na Assembléia Legislativa do Paraná. Segundo explicações da Secretaria de Estado de Administração e Previdência Social, os funcionários teriam sido contratados através de concurso público. Muitos deles para suprir vagas deixadas por aposentados ou para regularizar cargos que eram ocupados por servidores regidos pela Consolidação das Leis de Trabalho (CLT) - situação considerada irregular pelo Tribunal de Contas (TC) do Paraná.
As explicações públicas durante a reunião fizeram a secretária Maria Martha Lunardon se emocionar. Em lágrimas enquanto dizia não se conformar com as críticas que lia, ela foi aplaudida pelos colegas de governo. ''Eu vi tanta barbaridade que não tem condição'', desabafou. Os servidores teriam sido contratados entre 2003 e 2007. Do total, 47 mil foram contratados como professores ou funcionários de escolas e universidades públicas estaduais. Outros 1,2 mil são agentes penitenciários (que substituíram os funcionários contratados pelas unidades terceirizadas) e 3,2 mil são policiais militares.
''Se a gente não contrata, dizem que falta professor nas escolas, nas universidades ou que não tem policial em Londrina. Não tem o que fazer'', reclamou o governador Roberto Requião (PMDB). Atualmente, o governo do Estado tem 44 mil professores no ensino básico, 15 mil professores no ensino superior, 7,2 mil ainda contratados pela Paraná Educação e que precisam ser regularizados através de concurso público, 17,4 mil policiais militares, 2,7 mil policiais civis, 18,6 mil trabalhadores temporários (por curto prazo de tempo ou contratados emergencialmente), 33 mil no Quadro Próprio do Poder Executivo, 3,7 mil em cargos administrativos, 1,1 mil auditores fiscais e 3,6 mil comissionados.
Ainda estão previstas as contratações de 14 mil professores, 1 mil policiais militares, 542 policiais civis e 35 profissionais para a polícia científica. Os debates sobre a contratação de funcionários para o Poder Executivo foram aprofundados esta semana por conta da mensagem 39 de 2007 que pedia autorização para criação de 20 novos cargos para a Secretaria de Estado de Justiça - dez cargos de vice-diretores e dez de chefes de segurança para presídios em construção. Há seis meses, a liderança de Oposição ajuizou uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) para impedir o que os parlamentares chamam de ''abusos'' nas contratações.


