O presidente do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), Sérgio Otero, teve seu pedido de demissão publicado ontem no Diário Oficial da União (D.O.U.). O novo presidente será Wolney Martins que vinha ocupando o cargo como interino. Os contratos assinados sem licitação pelo Serpro com a empresa Prolan, que contratava os serviços da esposa de Otero, Rosane Rodrigues, e que deram motivo à exoneração, serão auditados pela Secretaria Federal de Controle do Ministério da Fazenda para que se descubra se houve ou não irregularidades.
A saída de Otero só aconteceu depois de um segundo pedido explícito do ministro da Fazenda, Pedro Malan, para que ele deixasse o cargo. Na terça-feira o ministro enviou a Otero uma cópia do relatório final da comissão que investigou as irregularidades no Serpro e uma carta em que ‘‘sugeria’’, em caráter pessoal, que Otero pedisse demissão.
Na carta, Malan fez questão de dizer a Otero que a sua sugestão não trazia implícito nenhum julgamento sobre sua conduta, mas que considerava o afastamento como a melhor saída para a situação.
A comissão classificou em seu relatório final os fatos sem indícios de irregularidades e outros fatos inconclusos. Nessa última categoria está a relação triangular da esposa de Otero com empresas prestadoras de serviço ao Serpro e a compra, por uma empresa de São Paulo, de um terreno em área nobre de Brasília que se suspeita seja de Otero. O ex-presidente do Serpro foi procurado ontem, mas até as 17h30 não havia retornado a ligação.