Governo estuda anular contrato com Ferropar
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segunda-feira, 28 de julho de 2003
Maria Duarte<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Assim como as concessionárias que exploram o pedágio no Estado, a Ferropar operadora do trecho da Estrada de Ferro Paraná Oeste, a Ferroeste, entre Guarapuava e Cascavel entrou na mira do governador Roberto Requião (PMDB). O governador sugeriu ontem à direção da Ferroeste, sociedade de economia mista vinculada à Secretaria de Estado dos Transportes, a anulação do contrato com a iniciativa privada, ''por inadimplência contratual''. A Ferropar começou a atuar em 1997, através de uma subconcessão, onde o Estado tem 99% de participação na Ferroeste.
Requião anunciou sua posição pela manhã, durante a reunião semanal com o primeiro escalão, em Curitiba. ''Uma estrada de US$ 333 milhões de dólares foi dada de presente para um grupo privado, que não investiu. Minha orientação é para anular esse contrato, por inadimplência (por parte da Ferropar)'', protestou Requião.
Informações da direção da Ferroeste, apresentadas ao longo da reunião, apontam que a ferrovia está sendo subexplorada e, portanto, o contrato estaria sendo descumprido. As locomotivas têm, segundo dados oficiais, apenas 19% da tração que deveriam. Além disso, existem apenas 17 locomotivas, enquanto o número ideal seria de 54. Já os vagões, alega o governo, têm apenas 38% da capacidade de carregamento.
Ao fazer esse diagnóstico, no início do ano, a cúpula da Ferroeste abriu um processo administrativo, questionando a atuação da iniciativa privada na parceria com o Estado. Segundo a direção da Ferroeste, foi feita uma sindicância e aberta a oportunidade de defesa para a Ferropar. Os argumentos do grupo privado já estão na Ferroeste, que deve se manifestar nas próximas semanas. A Ferroeste recebe da Ferropar R$ 535 mil, trimestralmente. É a principal fonte de receita da Ferroeste.
Em entrevista à Folha, Horácio Guimarães, diretor de produção da Ferropar, disse que o grupo privado está seguindo o contrato. ''A nossa parte está sendo feita'', garantiu, por telefone. Ele disse desconhecer as razões do Estado para contestar o contrato.
O governador mostrou-se indignado com a situação, e defendeu que o Ministério Público (MP) estadual investigue o contrato. Requião propôs que o sistema das estradas de ferro passe a funcionar através de uma espécie de pedágio, no qual qualquer empresa privada e cooperativa poderia utilizar a malha ferroviária.


