Governo estadual prevê investir 6,6% do orçamento de 2016
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 30 de setembro de 2015
Mariana Franco Ramos<br> Reportagem Local 
Curitiba O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), afirmou ontem, ao entregar os projetos da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2016 e do Plano Plurianual (PPA) para o período 2016-2019, na Assembleia Legislativa (AL), que pretende usar R$ 3,6 bilhões do Tesouro do Estado para investimentos no próximo ano, o que corresponde a 6,6% da estimativa de receitas, calculadas em R$ 54,5 bilhões. O montante, destinado a obras de infraestrutura, como duplicação de rodovias e compra de equipamentos, será complementado com R$ 3,1 bilhões, provenientes das empresas públicas ou de economia mista, caso do Porto de Paranaguá, da Copel (Companhia Paranaense de Energia) e da Sanepar (Companhia de Saneamento do Paraná), totalizando R$ 3,7 bilhões.
Os valores superam os de 2015, quando o orçamento ficou na casa dos R$ 44 bilhões, sendo pouco mais de R$ 2 bilhões para investimentos. Segundo o tucano, a retomada é fruto, sobretudo, das "medidas de austeridade" adotadas desde o final de 2014, que incluíram aumento de impostos, como ICMS e IPVA, extinção de secretarias e uma criticada reforma na Paranaprevidência. "Isso proporcionou, inclusive, um acréscimo de receita aos municípios paranaenses na ordem de 20%. Estamos vendo aí municípios brasileiros numa situação pré-falimentar, com dificuldade de honrar seus compromissos, de fornecer serviços de qualidade à população, e aqui o ajuste beneficiou também o conjunto dos municípios", disse.
PERCENTUAIS
O Executivo estima fechar as contas de 2016 em equilíbrio, já que a previsão de despesa é, também, de R$ 54,5 bilhões. Deste total, a maior parte será usada para quitar gastos com pessoal e encargos, estimados em R$ 21,2 bilhões, um aumento de 11% em relação ao exercício atual. Outros R$ 9,3 bilhões serão aplicados em educação, o que equivale a 34,17% da receita de impostos (o mínimo previsto pela Constituição Federal é 30%). Já em saúde a expectativa é cumprir com os 12% exigidos legalmente, com R$ 3,2 bilhões. Neste ano, a gestão tucana aplicou apenas 10,39% (R$ 1,74 bilhão), o que gerou críticas por parte da oposição na AL.
O aporte para a área de transporte será de R$ 1,5 bilhão, dinheiro que irá custear 31 obras consideradas prioritárias, como a duplicação da PR-466 (Guarapuava-Palmeirinha), da PR-092 (Siqueira Campos-Joaquim Távora) e da PR-280 (Francisco Beltrão-Pato Branco), além da implantação dos corredores de Castro, Londrina, Marmeleiro e Umuarama. A LOA trata, ainda, das receitas e despesas programadas para 2016 no Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) serão R$ 7,2 bilhões, 11,62% a mais do que em 2015.
O governador afirmou que não pretende reajustar novamente os tributos. Uma possível redução nas alíquotas, contudo, só deve ser estudada caso a situação econômica melhore significativamente. "O ajuste foi recém-feito. Estamos colhendo agora os frutos dessas medidas acertadas, muito bem planejadas pelo nosso governo. Posso assegurar hoje que muitos Estados inclusive estive em São Paulo com nove governadores estão curiosos para saber qual é a receita do Paraná para o enfrentamento desta crise. Não estou dizendo que temos uma situação folgada, mas temos uma situação mais amena (
) Começamos a fazer os fluxos agora e, se houver daqui para frente uma melhora significativa, sustentável e econômica do Estado e também do País, podemos analisar sim mais à frente a redução de algumas alíquotas".


