Brasília - Lula deixou claro estar ciente também das limitações do governo. Ao falar a cineastas, na semana passada, declarou: ''O governo não conhece tudo e não pode tudo. Para que a gente possa conhecer melhor e para que a gente possa fazer melhor é preciso que cada um de vocês assuma o compromisso e assuma a responsabilidade.''
Ele comentou as dificuldades de promover mudanças internas na estrutura da administração pública. ''Não pensem que é fácil fazer transferência de um órgão importante de um ministério para outro ministério'', disse, referindo-se à Agência Nacional de Cinema, que era subordinada à Casa Civil e agora responde ao Ministério da Cultura.
No primeiro semestre, Lula demonstrava indignação sempre que ouvia cobranças da oposição. ''Tem gente que passou 20 anos no poder, tem gente que está no poder desde que Cabral descobriu o Brasil e não fez o que tinha que ser feito. E agora eles querem que, com 70 e poucos dias, a gente já tenha resolvido os problemas. Não vai ser no tempo deles, vai ser o nosso tempo'', disse ele, em março, em São Bernardo do Campo, na comemoração dos 50 anos da Volkswagen no Brasil.
Na primeira semana de junho, ele usou argumento semelhante, comparando o desempenho do governo a uma gestação. ''O que não pode é alguém julgar uma criança quando ela ainda está no ventre da mãe. Temos apenas cinco meses de governo e, se eu fosse uma criança gerada no ventre da minha mãe, ainda faltariam quatro meses para vocês dizerem se eu seria bonito ou feio'', afirmou, em discurso no 8.º Congresso da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em São Paulo.
Pressionado a baixar os juros e fazer a economia crescer, ele prometeu, no fim de maio, o ''espetáculo do crescimento''.
Ainda que o tom dos discursos de Lula sofra mudanças à medida que se aproxima o término do primeiro ano de mandato, muitas de suas idéias e a forma de expressá-las continuam as mesmas. Neste mês, quando admitiu ainda não ter feito sequer 1% do que se propôs, ele reafirmou seu otimismo e voltou a usar o fator tempo como desculpa: ''Afinal de contas, estamos há nove meses no governo. Mas eu levanto todo dia mais otimista do que eu fui deitar.''
''É muito difícil ser presidente'', disse ele, em encontro com estudantes na Argentina, na quinta-feira passada.
Esse breve período, no entanto, já foi suficiente para deixá-lo inteiramente à vontade no poder. No discurso a professores, quarta-feira, ele contou que estava bastante atrasado para um encontro com senadores que o esperavam, ''em casa'', para discutir a reforma tributária. A reunião era no Palácio da Alvorada, a residência oficial dos presidentes.

mockup