A votação do pacote de quatro Medidas Provisórias (Mps), amanhã, que aumentam impostos e criam taxas para manutenção de órgãos públicos - principalmente do Imposto de Operações Financeiras (IOF) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) - servirá como o primeiro teste dos novos articuladores políticos do governo, que passam a trabalhar com os líderes dos partidos aliados no Congresso.
Com a aprovação das MPs, o governo terá um aumento de R$ 5 bilhões na arrecadação, repondo parte das perdas impostas pela demora na aprovação da nova Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).
‘‘Ministros e líderes estão afinados para essa votação’’, garante o líder do governo no Congresso, deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR).
Apesar das quatro MPs precisarem apenas de maioria simples para aprovação - metade mais um dos votos presentes -, o governo quer fazer uma demonstração de força na primeira votação importante do segundo mandato.
Por isso, a nova equipe de articuladores começa, a partir de hoje, a organizar um esforço concentrado para colocar em prática as estratégias montadas na semana passada.
O Palácio do Planalto deve marcar uma reunião - que deve acontecer ainda hoje - para dividir as tarefas entre os ministros e líderes da base aliada. No governo, o sucesso na votação é considerado fundamental como forma de sinalizar para o mercado externo que o País cumprirá as metas propostas no programa de estabilidade fiscal.
Com o sucesso na votação, o governo também pretende esvaziar as atenções dispensadas à moratória decretada pelo governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB).
Além dos quatro ministros políticos - Pimenta da Veiga (Comunicações), pelo PSDB; Eliseu Padilha (Transportes), pelo PMDB; Waldeck Ornélas (Previdência Social), pelo PFL, e Francisco Dornelles (Trabalho), pelo PPB - deverão ajudar na votação do ajuste outros três ministros, que têm bom trânsito com as bancadas dos partidos. O ministro da Saúde, José Serra, mobilizará os tucanos, enquanto os da Justiça, Renan Calheiros, e do Meio Ambiente, José Sarney Filho, cuidarão das bancadas do PMDB e do PFL, respectivamente.
Cansado de surpresas desagradáveis depois de sucessivas derrotas em votações no Congresso, o presidente Fernando Henrique Cardoso resolveu mudar a forma de dialogar com os parlamentares no segundo mandato para não correr mais riscos. Já nessa votação, será usada a metodologia acertada na semana passada e que fará parte da estratégia que o governo passará a adotar em todas as matérias de interesse.
Os ministros ficarão responsáveis pela checagem absoluta de três itens antes de cada votação: será analisado o voto antecipado de todos parlamentares; será confirmada a presença no plenário, e haverá uma mobilização para assegurar ou até mesmo mudar o voto de última hora durante as votações. ‘‘A derrota por maioria simples da contribuição dos inativos, em dezembro, serviu de lição’’, explicou um dos ministros políticos. Outra novidade nessa votação é que todos os ministros da articulação do governo passarão a trabalhar em dobradinha com o líder da bancada do partido para poder atender aos pedidos dos deputados da bancada.

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