Governo enfrenta pressão de políticos por verbas
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sábado, 09 de junho de 2001
Christiane Samarco Agência EstadoDe Brasília 
Não bastassem a crise política que se arrasta há mais de um ano e a queda nas previsões otimistas de crescimento da economia, a equipe econômica enfrenta, agora, a ansiedade e a cobrança redobradas de deputados, senadores e governadores. Motivo: o calendário político embolado que mistura as eleições, com antecipação da corrida presidencial de 2002, à discussão do Orçamento Geral da União (OGU) que será levado ao palanque de campanha dos aliados no ano que vem. O resultado disso é que o próprio governo já flexibilizou as metas fiscais para 2002, para abrir espaço ao atendimento das emendas parlamentares.
O ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Martus Tavares, salienta que a meta global de superávit nas estatais e no OGU, prevista na proposta da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2002, a ser votada até 30 de junho, é de R$ 31 bilhões e que este valor é inegociável. Mas o governo abriu mão de fixar os R$ 26 bilhões para o Orçamento e os R$ 5 bilhões para as estatais. Deixamos espaço para o Congresso calibrar isto, porque os parlamentares desejam um superávit maior das estatais, para terem mais recursos no OGU e atender as emendas, explica.
O ministro tem sido procurado por parlamentares ansiosos por verbas para atender suas bases eleitorais e governadores de todos os partidos aflitos para garantir os recursos que lhes permitirão cumprir as promessas e apresentar uma boa prestação de contas. Ele até compreende a angústia. O cenário econômico muito positivo não se mostrou tão cor-de-rosa, e isto subtraiu a segurança dos aliados de ter um bom discurso eleitoral em 2002.
O fato concreto, diz ele, é que a pressão aumenta a cada dia. E muitos têm recorrido ao argumento de que não haverá acordo a ser cumprido com o Fundo Monetário Internacional (FMI) ano que vem, o que, em tese, permitiria ao governo afrouxar o ajuste fiscal. Isto, em meio ao quadro de crise política e disputas entre os governistas, em um processo que, segundo o próprio ministro, vem esgarçando as relações na base aliada e dificultando o diálogo com o governo.
A inquietação geral é muito grande, porque estão todos preocupados com a sobrevivência política, constata Martus. Ele reconhece que houve uma chacoalhada na economia, com a crise argentina, a retração do crescimento e o racionamento de energia.
Admite, também, que a crise política e a queda na popularidade do presidente Fernando Henrique Cardoso dão novo tempero à pressão dos políticos. É normal que a base se agite porque tudo isto gera conflito, analisa.
Diante do quadro, Martus Tavares tem feito bem mais do que simplesmente debater programas, números e cifras. À pressão dos políticos, ele contrapõe argumentos eleitorais. Com ou sem acordo com o FMI, a estabilização é a âncora de qualquer projeto político, rebate. A tese do ministro é a de que, sem a estabilidade que passa pela responsabilidade na gestão das contas públicas, projeto político algum se sustenta, independente de o candidato ser alinhado com o atual governo ou de oposição.


