Governo é refém de agiotas, diz Lula
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sábado, 12 de setembro de 1998
Fernanda da Escóssia Agência Folha e Agência Estado 
O candidato da coligação União do Povo Muda Brasil à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, disse ontem no Rio que o governo federal está refém da agiotagem internacional. Ele prometeu endurecer as críticas contra o governo na reta final da campanha. Agora é o momento de falar para que o povo compreenda a verdade do que está acontecendo no Brasil, afirmou Lula, que participou de uma carreata na Baixada Fluminense (região na periferia do Rio), tradicional reduto pedetista no Estado. Mais de 100 carros participaram da carreata.
Para Lula, o aumento de juros anunciado pelo governo federal vai significar mais desemprego, quebradeira da indústria e da agricultura, para enriquecer os ricos e empobrecer os pobres ainda mais. Lula disse que há tempo para evitar a vitória de Fernando Henrique Cardoso no primeiro turno, seja a três dias, a uma semana ou a um dia da eleição.
Lula chamou FHC de mentiroso por causa do aumento de juros anunciado na semana passada. Às 15h45, ele (FHC) disse que não ia haver aumento de juros, mas, às 22 horas, subiu os juros para 50%, afirmou. Durante a carreata, Lula deu autógrafos, distribuiu bonés e ouviu o coro de Lula lá, refrão do jingle da campanha presidencial do PT em 1989. A carreata saiu da Penha (zona norte) em direção a Nova Iguaçu, município da Baixada.
Lula estava acompanhado de seu candidato a vice-presidente, Leonel Brizola, de Anthony Garotinho, candidato ao governo do Rio com apoio da coligação, da senadora Benedita da Silva (vice na chapa de Garotinho) e do candidato ao Senado Saturnino Braga.
Campanha Lula passa a maior parte do fim de semana no Rio, em atividades de campanha - embarca hoje à tarde para São Paulo. Ontem ele gravou programas para a TV, participou da carreata com candidatos da frente das esquerdas no Rio e à noite, de um comício.


