Governo e PT querem afastamento de Vaccari
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terça-feira, 17 de março de 2015
Vera Rosa<br> Agência Estado 
Brasília - O governo e a cúpula do PT pressionam o tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, a se afastar do cargo. Alvo da Operação Lava Jato, Vaccari foi denunciado à Justiça pelo Ministério Público Federal, na tarde de anteontem, por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Em conversas reservadas, dirigentes do PT dizem que a situação de Vaccari é "insustentável", informou o jornal O Estado de S. Paulo ontem.
O argumento dos petistas que pedem o afastamento do tesoureiro é que o PT e a presidente Dilma Rousseff vivem uma crise política de alta intensidade e sua permanência causaria ainda mais desgaste para o partido e o Palácio do Planalto.
Questionada sobre a denúncia contra Vaccari, Dilma não o defendeu. Ao contrário, aproveitou para dizer que a denúncia contra ele joga por terra os comentários de que o governo interfere em investigações do Ministério Público.
Mesmo quem apoia Vaccari no partido argumenta que ele precisa se afastar para se defender e lembra que isso já foi feito por Ricardo Berzoini, seu amigo e hoje ministro das Comunicações. Em 2006, Berzoini presidia o PT, coordenava a campanha à reeleição do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e teve o nome associado ao escândalo dos aloprados, que se referia à compra de um dossiê com denúncias contra tucanos. Por ordem de Lula, Berzoini se afastou da campanha e do partido. No ano seguinte, reassumiu o comando do PT. Antes, em 2005, o PT expulsou o tesoureiro Delúbio Soares, no rastro do mensalão.
O advogado Luiz Flávio Borges DUrso, defensor de Vaccari, disse ontem que o tesoureiro "não participou de nenhum esquema para recebimento de propina ou de recursos de origem ilegal destinados ao PT".
A CPI da Petrobras determinou ontem o cronograma de depoimentos de supostos envolvidos no esquema de corrupção na estatal. Depois de ouvir o ex-diretor de serviços da companhia Renato Duque amanhã, serão ouvidas mais duas pessoas. No dia 26 será ouvido Julio Faerman, representante da SBM Offshore no Brasil e no dia 31, Glauco Legatti, ex-gerente-geral da refinaria Abreu e Lima.
Durante o encontro de ontem da CPI, os parlamentares foram informados que o juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas investigações da operação Lava Jato, enviou despacho autorizando a viagem do ex-diretor de serviços da Petrobras, Renato Duque, a Brasília. Como um ato da Mesa Diretora da Câmara proíbe que pessoas presas prestem depoimento na Casa, Duque terá de ser ouvido em outro local. No caso, o depoimento ocorrerá na sede da Polícia Federal em Brasília.


