Governo e PT estão divididos no caso Diniz
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terça-feira, 17 de fevereiro de 2004
Agência Estado 
Brasília - O governo e o PT deram mostras de que estão dispersos na condução da crise provocada pelo caso Waldomiro Diniz, ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil, que foi flagrado pedindo dinheiro para a campanha de candidatos a governador e um pouco para si mesmo. Uma parte do núcleo político do Palácio do Planalto, por exemplo, posicionou-se contrariamente aos ataques ao PSDB e ao presidente nacional do partido, José Serra, feitos pelo presidente nacional do PT, José Genoíno. Na avaliação desse grupo, não é hora de a administração federal e os petistas provocarem adversários e arrumar mais confusão.
Outra mostra de que o Poder Executivo e o partido não afinaram os discursos foi a decisão da bancada da legenda no Senado de sugerir a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o financiamento de campanha de todos os candidatos, em 2002, e vetar outra CPI, esta para ver como era a influência de Diniz na Casa Civil, onde, até sexta-feira, foi o mais influente assessor do ministro José Dirceu.
Genoíno não gostou da decisão do Senado. ''Por enquanto, é a posição do Senado. Vamos esperar os acontecimentos'', disse, demonstrando contrariedade.
Mais tarde, ao tomar conhecimento da reação dos senadores de outros partidos à proposta da CPI ampla, destinada a investigar o financiamento de campanha de todos os candidatos em 2002, o líder do governo no Senado, Aloízio Mercadante (SP), foi à tribuna e assumiu uma posição mais humilde. Mesmo sendo líder do governo, ele falou em nome deste e também da sigla, cuja líder é Ideli Salvati (SC) e, nesta hora, estava preocupada em ouvir o que dizia o senador Demósthenes Torres (PFL-GO).
''O que estamos pedindo é um voto de confiança ao Congresso Nacional. Esperem as investigações do Ministério Público (MP), da Polícia Federal (PF)'', apelou Mercadante. Durante todo o discurso, ele adotou um tom duro quando se referia ao ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil. ''O governo não titubeou; demitiu esse indivíduo assim que tomou conhecimento de que estava envolvido num caso suspeito.'' Mercadante disse que ainda que se o Executivo soubesse do passado de Diniz, ele jamais teria ido trabalhar na Casa Civil.
Na bancada de senadores, também houve divergências. O ex-líder da agremiação no Senado Tião Viana (AC) não gostou da decisão dos companheiros. Considerou-a provocativa. Recusou-se até a fazer o texto da nota que o PT divulgou depois, explicando as razões pelas quais queria uma CPI ampla.


