Governo e oposição trocam farpas sobre gastos e dívida
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quarta-feira, 04 de maio de 2005
Leila Suwwan<br>Folhapress 
Brasília - No quinto aniversário da Lei de Responsabilidade Fiscal (LFR), governo e oposição debateram ontem no Senado, em tom agressivo e acusatório, qual partido - PT ou PSDB - deve ''desculpas à nação'' quando o assunto era gastos e endividamento público. O ataque partiu de dois tucanos, Tasso Jereissati (CE) e Arthur Virgílio (AM), e dois pefelistas, José Agripino (RN) e Antonio Carlos Magalhães (BA), que usaram a tribuna para lembrar que o PT votou contra a LRF que agora comemora. De quebra, acusaram o governo de aumentar a carga tributária e os gastos com pessoal.
Jereissati fez um discurso em que acusou o governo de apenas ''surfar'' na maré da economia mundial para conseguir um crescimento de 5,2%. ''Não há absolutamente nada, do ponto de vista econômico, lógico e racional, que justifique o ufanismo do governo com o próprio desempenho'', disse o tucano. Segundo ele, o governo é ''gordo, pesado e perdulário'' e ''navega sem rumo''. ''O PT foi retrógrado e deveria pedir desculpas à nação de forma digna após manter tantas posições insensatas e irresponsáveis'', disse Arthur Virgílio.
O líder do governo, senador Aloizio Mercadante (PT-SP), fez a defesa praticamente sozinho, sem apoio sequer de líderes aliados. Na tribuna, reconheceu que a LRF foi uma conquista e explicou que o partido foi contra a lei porque quis negociar as penalidades e a transição. ''Quem deve verdadeiramente desculpas ao país são vocês, que não podem falar de responsabilidade fiscal. Promoveram uma política de câmbio equivocada, endividaram o país e deixaram uma herança fiscal perversa'', disse Mercadante aos quatro.
O debate virou, por um momento, um bate-boca fora do microfone sobre números, com troca até de acusação de manipulação de dados.


