Governo e oposição têm dificuldades para compor
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 06 de julho de 1998
Christiane Samarco e João Domingos Agência Estado 
O esforço do Palácio do Planalto e de seus aliados para harmonizar o palanque da reeleição deu certo em apenas oito dos 27 estados. Só foi possível reproduzir a aliança nacional que uniu PSDB, PFL, PTB e PPB para reeleger o presidente Fernando Henrique no Amapá, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais, Goiás, Tocantins e na Paraíba. Parece pouco, mas os números são até generosos. Se o PMDB tivesse entrado oficialmente na aliança, como queriam seus principais líderes e FHC, a parceria nacional teria se reproduzido em um único Estado: o Rio Grande do Sul do governador Antônio Britto, que disputará a reeleição.
Entre as esquerdas, as alianças também se complicaram. PT, PDT, PSB e PC do B, que se coligaram para dar apoio a Luiz Inácio Lula da Silva, só conseguiram fazer a mesma composição em 11 estados. Ocorreu também um caso de aliança do PT de Lula com o PSDB do presidente - no Acre. Os tucanos vão apoiar o petista Jorge Viana, da ala light, à qual pertencem os deputados José Genoino e Eduardo Jorge, de São Paulo.
Encerrado em 30 de junho o prazo legal para que os partidos oficializassem seus candidatos e apontassem as coligações, somam 127 os nomes dos que desejam se eleger governador em todo o Brasil. Dos 27 governadores, somente cinco desistiram de concorrer à reeleição: Orleir Cameli (AC), Vítor Buaiz (ES), Maguito Vilela (GO), Wilson Martins (MS) e Marcello Alencar (RJ).
O Estado que concentra o maior número de candidatos é o Rio, com 10 pretendentes. O oposto está no Amazonas, com dois candidatos apenas: Amazonino Mendes (PFL), que disputa a reeleição, contra Eduardo Braga (PSL). A maior confusão ocorreu no Espírito Santo. A briga foi tamanha que nenhum dos sete candidatos conseguiu o apoio de outro partido.
PSDB E PFL Parceiros de primeira hora na eleição de Fernando Henrique, em 1994, o PSDB e o PFL do vice-presidente Marco Maciel foram bem sucedidos nas articulações para repetir, nos estados, a dobradinha federal. Eles unificaram os palanques em 13 estados: Alagoas, Amapá, Amazonas, Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Roraima, Santa Catarina e Tocantins.
Com o PMDB oficialmente fora da aliança, o coordenador político da campanha da reeleição de Fernando Henrique, Euclides Scalco, encaminou uma consulta ao TSE para saber como poderá usufruir da parceria informal com a ala governista do partido. A idéia é montar comitês estaduais e padronizar o material de campanha. Antes, porém, será necessário saber se os peemedebistas poderão aparecer no horário eleitoral ao lado do candidato ou pedindo votos para FHC.
Enquanto aguarda a resposta, Scalco trabalha com a possibilidade de um comitê conjunto nos oito estados onde o PSDB de FHC está coligado com o PMDB do presidente rebelde do partido, o deputado Paes de Andrade (CE), que deverá apoiar o petista Lula. Os tucanos só estão oficialmente coligados com o PMDB em Alagoas, Amapá, Amazonas, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Rio Grande do Sul, Rondônia e Sergipe.


