Governo e oposição pedem a saída de Severino
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 14 de setembro de 2005
Ranier Bragon eFábio Zanini<br> Folhapress 
Brasília - A revelação de que uma funcionária de Severino Cavalcanti (PP-PE) descontou um cheque de Sebastião Buani teve repercussão imediata no Congresso, uniu governo e oposição em um mesmo discurso, e deflagrou de vez a corrida para encontrar um nome para sua sucessão. O empresário ainda dava a entrevista, pouco após as 11h, e deputados da oposição se avolumavam no Salão Verde da Câmara disputando microfones e câmeras para reforçar os pedidos de derrubada do presidente da Casa. Os governistas, até anteontem cautelosos, aderiram ao fora Severino minutos depois.
A aparição de uma prova material altera completamente a situação. Na minha opinião, o presidente Severino deve renunciar à presidência da Câmara. [ele] Perdeu completamente a condição de presidir a Casa, afirmou o líder do PT, Henrique Fontana (RS), que até anteontem era contra a abertura de processo de cassação no Conselho de Ética da Câmara.
Depois do cheque, o PT decidiu ele próprio apresentar o pedido de cassação, que se somaria ao já feito pela oposição. O PSB faria o mesmo: É o fim. O que nos faltava era essa prova material, disse Renato Casagrande (ES), líder da bancada.
Aliados de Severino, após passarem dias em aparente tranqüilidade, finalmente soaram o alarme. O cheque torna verossímeis as acusações, mas é preciso esperar a resposta do presidente, disse Francisco Dornelles (PP-RJ). Ficou muito ruim, opinou João Pizzolatti (PP-SC). Juridicamente não há nada contra ele, mas politicamente ficou insustentável, reforçou Bendito Dias (PP-AP).


