Brasília - A revelação de que uma funcionária de Severino Cavalcanti (PP-PE) descontou um cheque de Sebastião Buani teve repercussão imediata no Congresso, uniu governo e oposição em um mesmo discurso, e deflagrou de vez a corrida para encontrar um nome para sua sucessão. O empresário ainda dava a entrevista, pouco após as 11h, e deputados da oposição se avolumavam no Salão Verde da Câmara disputando microfones e câmeras para reforçar os pedidos de derrubada do presidente da Casa. Os governistas, até anteontem cautelosos, aderiram ao ‘‘fora Severino’’ minutos depois.
  ‘‘A aparição de uma prova material altera completamente a situação. Na minha opinião, o presidente Severino deve renunciar à presidência da Câmara. [ele] Perdeu completamente a condição de presidir a Casa’’, afirmou o líder do PT, Henrique Fontana (RS), que até anteontem era contra a abertura de processo de cassação no Conselho de Ética da Câmara.
  Depois do cheque, o PT decidiu ele próprio apresentar o pedido de cassação, que se somaria ao já feito pela oposição. O PSB faria o mesmo: ‘‘É o fim. O que nos faltava era essa prova material’’, disse Renato Casagrande (ES), líder da bancada.
  Aliados de Severino, após passarem dias em aparente tranqüilidade, finalmente soaram o alarme. ‘‘O cheque torna verossímeis as acusações, mas é preciso esperar a resposta do presidente’’, disse Francisco Dornelles (PP-RJ). ‘‘Ficou muito ruim’’, opinou João Pizzolatti (PP-SC). ‘‘Juridicamente não há nada contra ele, mas politicamente ficou insustentável’’, reforçou Bendito Dias (PP-AP).

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