Governo é o maior interessado em apurar denúncias
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quarta-feira, 03 de fevereiro de 2016
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 
Curitiba A vice-governadora do Paraná, Cida Borghetti (Pros), disse ontem que o governo do Estado é o maior interessado em apurar todas as denúncias relativas às operações Quadro Negro, que investiga o desvio de quase R$ 20 milhões destinados a obras de escolas públicas, e Publicano, relativa a irregularidades cometidas na Receita Estadual, em Londrina. No último dia 21, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu autorização ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para abrir um inquérito, de forma a averiguar a suposta participação do governador Beto Richa (PSDB) no esquema da Publicano. Ele nega as acusações.
"Quero aqui deixar bastante claro que o trabalho continua, a resposta à sociedade. É um trabalho sério, um trabalho a favor da população. Esse trabalho jamais pode parar", afirmou. Pela segunda vez consecutiva, Cida substituiu Beto na sessão inaugural do ano na Assembleia Legislativa (AL). Apesar de não ser obrigatória, a presença do chefe do Executivo na primeira plenária, quando não há pauta de votações, é considerada de praxe.
Cida também se esquivou sobre a proposta da oposição de instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Valor, construtora que tinha contrato com a Secretaria da Educação (Seed). Depoimentos da Quadro Negro sugerem o envolvimento do secretário de Infraestrutura e Logística, José Richa Filho, irmão de Beto; do presidente da AL, Ademar Traiano (PSDB); do primeiro-secretário da Assembleia, Plauto Miró (DEM); e do conselheiro do Tribunal de Contas (TC) Durval Amaral. A suspeita é de que o dinheiro desviado tenha abastecido campanhas eleitorais.
"Eu já fui deputada estadual, já estive nesta Casa por oito anos. A responsabilidade de cada parlamentar aqui é responder à sociedade. O plenário é soberano", falou. Em relação à participação de seu irmão, o ex-vereador de Curitiba Juliano Borghetti, que chegou a ser preso pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em uma das etapas da mesma operação, ela argumentou ser preciso separar as duas situações. "Juliano constituiu advogado, está se defendendo, foi ouvido, prestou todos os depoimentos e respondeu à imprensa que não tem nenhuma ligação. A sua defesa e ele próprio vão provar."
Questionada se as investigações prejudicam a imagem do governo, a vice-governadora comparou: "A imagem é do estado do Paraná, porque o governo do Estado é o Paraná como um todo", respondeu.


